Cresceu 48% e virou Capital do Jazz: a cidade do litoral que é a 2ª que mais atrai novos moradores no estado, com qualidade de vida e praias tranquilas
A antiga vila de pescadores se transformou em um destino procurado para morar e visitar
Até 1992, ela era apenas um distrito de pescadores pendurado no mapa de outro município, sem prefeitura própria. Em Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, o mar calmo, a orla urbanizada e um festival de música gratuito transformaram a antiga vila em um dos destinos mais visitados da Costa do Sol, e a cidade não para de receber gente nova.
Quanto Rio das Ostras cresceu nos últimos anos?
A população saltou de 105.676 para 156.491 moradores entre 2010 e 2022, alta de 48,09%. Segundo a Prefeitura de Rio das Ostras, com base no Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi o 2º maior crescimento do estado, atrás apenas de Maricá, que avançou 54,77%.
Na prática, a cidade ganhou mais de 50 mil habitantes em 12 anos, e a estimativa de 2026 passa de 168 mil. O avanço veio acompanhado de bons indicadores: o município tem o 3º maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal do estado, com 0,773 na medição mais recente, feita em 2010.

Alguns números ajudam a entender por que tanta gente escolheu esse pedaço do litoral:
Por que a cidade virou a Capital Estadual do Jazz & Blues?
O título nasceu de uma aposta feita em 2003, quando os primeiros shows de jazz e blues foram montados nas areias da Praia de Costazul. De acordo com a prefeitura, o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival rendeu ao município o título de Capital Estadual do Jazz & Blues em 2011 e somou mais de 600 shows em duas décadas.
O evento acontece no feriado de Corpus Christi, com palcos espalhados por cartões-postais como a Concha Acústica da Praça São Pedro, a Lagoa de Iriry, a Boca da Barra e a Cidade do Jazz. Pesquisas citadas pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo indicam que cada edição injeta, em média, R$ 8 milhões na economia local.

O que fazer em Rio das Ostras entre praias, lagoas e história?
O programa principal é a orla. Segundo a Riotur, a cidade reúne 15 praias em 28 km de litoral, tem sol em pelo menos 300 dias por ano e conta com cerca de 70 hotéis e pousadas.
A história também aparece no passeio. A região se chamava Leripe, palavra tupi para lugar de ostra, e foi entregue aos jesuítas em 1630, como registra a página histórica do município. No século 19, a vila virou o arraial de Baía Formosa, ponto de passagem de tropeiros e comerciantes.
Roteiro pela orla e pelo passado riostrense
Entre o mar, as lagoas e os prédios antigos, alguns lugares concentram a melhor experiência na cidade:
- Praia de Costazul: 2,3 km de mar aberto, procurado por surfistas, com ciclovia, quiosques e um píer que avança 200 metros mar adentro.
- Praça da Baleia: abriga uma jubarte de 20 metros recoberta de bronze e latão, apontada pela Riotur como a maior homenagem a um cetáceo no mundo.
- Monumento Natural dos Costões Rochosos: faixa de rochas preservada entre a Praça da Baleia e a Praia da Joana, com vista para o nascer do sol.
- Lagoa de Iriry: lagoa de águas escuras colada ao mar, cercada de restinga e usada como um dos palcos do festival.
- Museu de Sítio Arqueológico Sambaqui da Tarioba: inaugurado em 1998, é um dos poucos museus montados no próprio sítio no Brasil, com vestígios de uma ocupação de cerca de 4 mil anos.
- Figueira Centenária: árvore no calçadão da Praia do Centro, sob a qual o imperador Dom Pedro II descansou em 1847, recebido com bandas de música.
- Centro Ferroviário de Cultura: antiga estação de Rocha Leão, concluída em 1887, com paredes de pedra bruta e telhas francesas vindas de Marselha.
Os passeios gratuitos e as opções gastronômicas de Rio das Ostras aparecem neste vídeo do canal Rio Para Pobres, que apresenta lugares para conhecer e aproveitar nessa cidade do litoral fluminense:
Como é a rotina de quem troca a capital pela Costa do Sol?
A cidade fica a cerca de 170 km do Rio de Janeiro, com acesso pela BR-101 e pela RJ-106, e faz divisa com Macaé. A renda média do trabalhador formal chega a 3,6 salários mínimos, a 4ª maior do estado nos dados reunidos pela prefeitura.
No dia a dia, a orla funciona como quintal. A urbanização de Costazul juntou ciclovia, academia ao ar livre e 15 mil m² de restinga preservada, o que faz da caminhada no fim da tarde um hábito de moradores e visitantes. Como o calor e as chuvas mudam bastante ao longo do ano, o clima pesa na escolha da época da mudança e das férias.
Como é o clima durante o ano em Rio das Ostras?
A cidade tem clima quente e úmido, com chuvas concentradas entre novembro e março e um inverno mais seco, de temperaturas amenas. Mesmo nos meses mais frios, a máxima média não fica abaixo dos 24°C, o que mantém a orla convidativa o ano inteiro.
Rio das Ostras em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes no litoral:
Faixas baseadas nas médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte o Climatempo.
A vila que aprendeu a tocar jazz
Rio das Ostras juntou em poucas décadas o que muitas cidades levam um século para construir: crescimento acelerado, bons indicadores e uma identidade cultural que atravessou o estado. Tudo isso sem perder a escala de cidade praiana, onde o mar segue no centro da rotina.
Você precisa caminhar pela orla de Costazul num fim de tarde, ouvir jazz de frente para o mar e entender por que tanta gente decidiu ficar.
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