Dois asteroides deixaram de parecer um ponto só quando uma nave europeia chegou perto o suficiente para separá-los
Sonda Hera fotografou Didymos e Dimorphos separadamente a 1.280 quilômetros de distância e prepara uma investigação detalhada dos efeitos da colisão provocada pela NASA
Uma imagem registrada em 18 de outubro de 2026 marcou uma etapa importante da missão Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA). Pela primeira vez, a nave conseguiu fotografar separadamente os asteroides Didymos e Dimorphos, que até então apareciam como um único ponto luminoso. Os asteroides Didymos e Dimorphos, localizados a aproximadamente 197 milhões de quilômetros da Terra, são investigados para compreender os efeitos de uma colisão provocada intencionalmente pela NASA em 2022.
Como a missão Hera conseguiu fotografar os dois asteroides separadamente?
A imagem foi capturada pela Asteroid Framing Camera, uma câmera monocromática instalada na espaçonave europeia. Naquele momento, Hera estava a aproximadamente 1.280 quilômetros do sistema. A distância permitiu distinguir Dimorphos, o menor dos corpos, como um ponto luminoso separado de Didymos.
Poucos dias antes, em 7 de outubro, o conjunto ainda aparecia como uma única fonte de luz nas fotografias obtidas a cerca de 236.500 quilômetros. Com a aproximação, a separação tornou-se perceptível, embora Dimorphos ocupasse apenas aproximadamente um pixel. O registro confirmou visualmente a natureza binária do sistema pelas próprias câmeras da missão.
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Por que Hera precisou reduzir sua velocidade antes de se aproximar dos asteroides?
A aproximação exigiu manobras cuidadosamente planejadas para impedir que a nave passasse rapidamente pelo seu destino. Durante outubro, acionamentos dos propulsores reduziram progressivamente a velocidade relativa de Hera, permitindo que os controladores ajustassem sua trajetória com precisão.
A operação reuniu procedimentos importantes para preparar a investigação científica:
- Identificação inicial do sistema como um ponto luminoso distante
- Correções de trajetória para aproximar a espaçonave dos asteroides
- Acionamento dos propulsores para reduzir a velocidade relativa
- Registro de imagens sucessivas durante a aproximação
- Separação visual de Didymos e Dimorphos nas fotografias
A ESA publicou um vídeo em 3 de novembro de 2026, intitulado 10 asteroid mysteries that Hera will explore, que explica os principais mistérios investigados pela missão, incluindo as consequências do impacto da DART e a estrutura interna de Dimorphos.
O que aconteceu com Dimorphos quando a NASA lançou uma nave contra ele?
Em 26 de setembro de 2022, a missão DART atingiu deliberadamente Dimorphos a aproximadamente 6,1 quilômetros por segundo. O objetivo era verificar se uma colisão controlada poderia modificar a trajetória de um asteroide, demonstrando uma técnica de defesa planetária conhecida como impacto cinético.
O experimento funcionou. Antes da colisão, Dimorphos completava uma volta ao redor de Didymos em aproximadamente 11 horas e 55 minutos. Depois do impacto, esse período diminuiu cerca de 33 minutos. Entretanto, os cientistas ainda precisam compreender como a colisão alterou a forma, a estrutura e a superfície do pequeno asteroide.
Por que a ESA enviou outra nave para investigar o local atingido pela DART?
A missão Hera foi desenvolvida para transformar o experimento de 2022 em uma técnica de defesa planetária mais bem compreendida. Segundo o comunicado oficial da Agência Espacial Europeia, divulgado em 27 de outubro de 2026, a espaçonave começou a distinguir os dois corpos enquanto se preparava para observações detalhadas.
Entre os objetivos estão medir a massa de Dimorphos, examinar sua composição e determinar se o impacto produziu uma cratera ou modificou amplamente seu formato. A missão também utilizará dois pequenos satélites, Milani e Juventas, para realizar observações próximas e investigar características que as câmeras principais não conseguem revelar sozinhas.
Quais são as principais diferenças entre Didymos e Dimorphos?
Embora façam parte do mesmo sistema, os dois asteroides possuem dimensões bastante diferentes. Didymos é o corpo principal, enquanto Dimorphos funciona como seu satélite natural, deslocando-se lentamente ao redor do companheiro maior.
| Característica | Didymos | Dimorphos |
|---|---|---|
| Diâmetro | 780 metros | 151 metros |
| Função no sistema | Corpo principal | Satélite natural |
| Movimento | Rotação de 2,26 horas | Órbita de cerca de 11h23 após a DART |
| Impacto da DART | Não foi atingido diretamente | Atingido em setembro de 2022 |
| Investigação da Hera | Forma e propriedades físicas | Estrutura e efeitos da colisão |
Como as próximas imagens da Hera poderão melhorar a defesa da Terra?
Com a aproximação final ao sistema, a missão iniciou em novembro uma fase de caracterização dos dois asteroides. As observações permitirão produzir mapas detalhados, medir propriedades físicas e investigar possíveis alterações na distribuição dos materiais após o impacto de 2022.
A ESA programou para 25 de novembro de 2026 a apresentação de imagens detalhadas de Dimorphos e novos resultados da investigação. Ao combinar essas medições com os dados coletados pela DART, os pesquisadores poderão avaliar quais fatores determinam a eficiência de uma colisão controlada. Esse conhecimento será importante caso seja necessário desviar, no futuro, algum asteroide que represente risco real de impacto com a Terra.
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