Senado do Paraguai rejeita prorrogação de prazo para Peña exercer defesa
Presidente paraguaio decidiu não ir ao Congresso e será representado por seus advogados
O Senado do Paraguai rejeitou a prorrogação do prazo solicitada pelo presidente renunciante, Santiago Peña, para exercer sua defesa.
Alvo de um processo de impeachment, Peña havia pedido mais 72 horas ao Congresso, alegando que o tempo dado a ele para escolher um advogado e elaborar sua defesa é “insuficiente para que um processo atenda aos padrões de um Estado de direito”.
Peña não vai ao Congresso
Diante da negativa recebida, Peña decidiu não ir ao Congresso e será representado por seus advogados.
“Inicialmente, comparecemos para a defesa técnica, e o presidente permanece à disposição, caso o Senado autorize sua intervenção para apresentar sua defesa política. Vamos aguardar a definição no âmbito deste processo de impeachment. Agora, passaremos a exercer a defesa estritamente técnica e jurídica neste processo de impeachment”, afirmou o advogado Ricardo Preda, um dos representantes de Santiago Peña.
“Portanto, o que esperamos é que, se, após a nossa intervenção, for dada — no decorrer do trâmite — a possibilidade de o presidente exercer materialmente a sua defesa e apresentar uma explicação política sobre o assunto, ele esteja disposto a comparecer”, continuou.
A renúncia de Santiago Peña
Apontado como responsável pela crise envolvendo o Ueno Bank, Santiago Peña renunciou ao cargo na quinta-feira, 5.
Em vídeo, ele disse que tomou a decisão pensando na estabilidade do país.
“Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”, afirmou.
Para o opositor paraguaio Efraín Alegre, do Partido Liberal, Peña renunciou apenas para tentar manter seus foros.
“É apenas uma estratégia dele, que não quer ser preso nem devolver o que roubou”, disse o político à Folha de S.Paulo.
“Isso não resolve os problemas. Essa era uma entidade que, quando Peña assumiu, era uma financeira. Em quatro meses de governo, ela se transformou em um banco e começou a captar recursos públicos —os regulamentos das instituições foram modificados para permitir que um banco com pouca trajetória financeira pudesse captar recursos do Estado. Nada disso poderia ter acontecido sem a cumplicidade do poder”, acrescentou.
Além da participação societária que tinha na estrutura empresarial ligada ao Ueno Bank, por meio da Ueno Holding, até março de 2025, Peña indicou Carlos Carvallo para a presidência do Banco Central paraguaio.
Carvalho era presidente-executivo do Ueno Bank, alvo de uma intervenção do BC.
Cerca de 3 milhões de clientes –quase metade do Paraguai– foram afetados pela crise do Ueno Bank.
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