Um pé de alface chegou a 50 centímetros e cresceu com formato de árvore de Natal num quintal do Rio Grande do Norte
Hortaliça encontrada na Ufersa, em Mossoró, atingiu meio metro de altura e levantou hipóteses sobre os efeitos da luminosidade no desenvolvimento vegetal
Um pé de alface de 50 centímetros surpreendeu pesquisadores ao desenvolver uma aparência semelhante à de uma árvore de Natal. A planta foi encontrada no setor de mudas da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró, no Rio Grande do Norte, e não em um quintal residencial. O crescimento incomum da alface pode estar associado à redução da luminosidade, fenômeno que modifica o desenvolvimento do caule e a distribuição das folhas.
Onde foi encontrado o pé de alface de 50 centímetros no Rio Grande do Norte?
A hortaliça chamou atenção em outubro de 2026, quando funcionários da Ufersa perceberam que um exemplar havia crescido de maneira diferente das demais plantas cultivadas no setor de mudas. Em vez de apresentar uma estrutura baixa e compacta, a alface desenvolveu uma silhueta alongada e aproximadamente triangular.
Giorgio Mendes, coordenador do setor, associou a aparência à proximidade do Natal. Entretanto, a explicação considerada mais provável pela equipe é o estiolamento, processo relacionado à resposta das plantas à baixa disponibilidade de luz. Outras hortaliças apresentaram alongamento, mas apenas aquela adquiriu o formato que despertou curiosidade.
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Como a falta de luz pode provocar o crescimento incomum da alface?
As plantas utilizam receptores especializados para perceber a intensidade e a qualidade da luz disponível. Quando crescem sob sombra ou entre vegetais mais altos, podem direcionar recursos para alongar o caule, aumentando as possibilidades de alcançar regiões mais iluminadas.
No caso observado em Mossoró, cinco fatores ajudam a compreender essa hipótese:
- Plantas vizinhas possivelmente cresceram mais rapidamente;
- As folhas ao redor podem ter bloqueado parte da iluminação;
- Uma tela de cultivo reduzia a incidência direta da luz solar;
- O caule pode ter se alongado como resposta ao sombreamento;
- A disposição das folhas produziu uma aparência semelhante à de um pinheiro.
O vídeo Pendoamento Alface – Hidroponia, publicado pelo canal Bruno Palma Hidroponia, mostra outra situação em que a hortaliça desenvolve um caule alongado. O material ajuda a visualizar o crescimento vertical, embora não apresente o exemplar da Ufersa.
Qual é a diferença entre estiolamento e pendoamento da alface?
O estiolamento está relacionado principalmente à luminosidade insuficiente. Nessa condição, a planta pode alongar os entrenós, apresentar tecidos mais frágeis e modificar a distribuição das folhas. A resposta depende da intensidade da sombra, da variedade cultivada e de outros fatores ambientais.
Já o pendoamento corresponde ao alongamento da haste associado à transição reprodutiva. A alface deixa gradualmente a fase de produção de folhas e começa a formar estruturas florais, processo favorecido por temperaturas elevadas e, em determinadas variedades, dias mais longos. Uma alface alta não está necessariamente florescendo: os dois fenômenos precisam ser diferenciados pela observação do desenvolvimento vegetal.
O que as pesquisas científicas revelam sobre a iluminação e o crescimento da alface?
Um estudo publicado na Revista Ciência Agronômica, conduzido por Marla Diamante e colaboradores da Universidade do Estado de Mato Grosso, avaliou quatro cultivares de alface lisa em cinco ambientes de cultivo, incluindo telas de sombreamento e condições de campo aberto.
Os pesquisadores verificaram que determinados ambientes sombreados produziram caules mais compridos, possivelmente pela menor intensidade luminosa. Ao mesmo tempo, telas com 50% de sombreamento retardaram o pendoamento. Essa diferença demonstra por que o comprimento do caule, isoladamente, não comprova que uma planta tenha entrado na fase reprodutiva.

Quais números ajudam a explicar o crescimento incomum da alface?
A planta encontrada na Ufersa alcançou aproximadamente 50 centímetros de altura, mas não foram divulgadas medições detalhadas do caule ou análises fisiológicas que permitissem estabelecer a causa exata de seu formato.
Na pesquisa realizada em Mato Grosso, os pesquisadores utilizaram telas de sombreamento de 30% e 50%, além de telas termorrefletoras e cultivo a céu aberto. Os tratamentos com 50% de sombreamento apresentaram pendoamento mais tardio, próximo de 83 a 84 dias após o transplante, enquanto alguns ambientes menos protegidos registraram valores próximos de 78 dias.
| Indicador botânico | Informação documentada |
|---|---|
| Altura da alface em Mossoró | Aproximadamente 50 cm |
| Local do registro | Setor de mudas da Ufersa |
| Hipótese para o formato | Estiolamento por sombreamento |
| Sombreamento testado em pesquisa | 30% e 50% |
| Pendoamento nos tratamentos com 50% | Cerca de 83 a 84 dias após o transplante |
O que o formato de árvore de Natal revela sobre o cultivo de hortaliças?
O episódio mostra como pequenas diferenças ambientais podem produzir respostas visíveis no desenvolvimento vegetal. A proximidade entre mudas, a intensidade luminosa e as características das telas precisam ser avaliadas em conjunto para determinar as condições mais adequadas à produção.
Para os agricultores, a observação também tem consequências práticas. O alongamento excessivo pode prejudicar a aparência comercial, enquanto o pendoamento costuma deixar as folhas mais amargas e reduzir sua qualidade. No exemplar de Mossoró, entretanto, não foi comprovada a ocorrência de florescimento. A explicação permanece como uma hipótese agronômica, e a aparência incomum não constitui evidência de uma nova variedade ou mutação genética.
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