Um fóssil vendido por décadas como T. rex entrou em leilão por milhões e a discussão agora gira em torno de outro dinossauro
Esqueleto antes apresentado como jovem T. rex foi vendido por US$ 47,3 milhões após pesquisas reforçarem a existência do gênero Nanotyrannus
Um esqueleto de aproximadamente 67 milhões de anos, anteriormente apresentado como um jovem Tyrannosaurus rex, foi leiloado por US$ 47,3 milhões em Nova York, em 27 de outubro de 2026. O exemplar, apelidado de Jodi, é agora atribuído ao gênero Nanotyrannus, cuja identidade provocou décadas de discussões científicas. A mudança de classificação ocorreu após novas pesquisas indicarem que determinados fósseis menores não pertenciam necessariamente a adolescentes de T. rex.
Como o fóssil de Nanotyrannus passou de jovem T. rex a dinossauro leiloado por milhões?
O esqueleto foi encontrado em 2019 por Jodi Pierson, numa propriedade rural de Montana, nos Estados Unidos. Os ossos estavam preservados em rochas da Formação Hell Creek, conhecida por seus fósseis do final do Cretáceo. A descoberta recebeu o apelido de Jodi em homenagem à proprietária.
Em 2023, o exemplar foi exibido em Londres com o nome Chomper e apresentado como um jovem T. rex, com preço anunciado de US$ 20 milhões. A classificação mudou depois de novas evidências científicas. Portanto, embora a controvérsia sobre o gênero exista há décadas, esse esqueleto específico só foi descoberto recentemente.
Quais diferenças anatômicas distinguem o Nanotyrannus de um jovem T. rex?
Durante muitos anos, paleontólogos discutiram se esqueletos menores representavam espécies próprias ou estágios juvenis de Tyrannosaurus rex. A dificuldade está no fato de que os dinossauros mudavam de proporções enquanto cresciam, especialmente no comprimento das pernas, no formato do crânio e na robustez dos ossos.
As pesquisas recentes destacaram cinco diferenças importantes:
- Crânio mais estreito e alongado do que o de um T. rex adulto;
- Braços proporcionalmente maiores, com garras mais desenvolvidas;
- Dentes mais numerosos e relativamente estreitos;
- Proporções corporais associadas a um predador mais esguio;
- Evidências ósseas indicando maturidade sem alcançar dimensões de T. rex.
O Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte publicou um vídeo em 30 de outubro de 2025, apresentando as novas evidências e entrevistas com pesquisadores envolvidos na investigação.
Por que os anéis de crescimento dos ossos mudaram a interpretação do Nanotyrannus?
Assim como ocorre com árvores, determinados ossos de dinossauros preservam marcas relacionadas ao crescimento. A análise microscópica dessas estruturas permite investigar se um animal ainda estava crescendo rapidamente ou se havia se aproximado de sua maturidade corporal.
Num exemplar anteriormente interpretado como juvenil, os pesquisadores identificaram características de um indivíduo próximo do tamanho definitivo. Isso enfraquece a hipótese de que necessariamente se transformaria num T. rex muito maior. Entretanto, a identificação exige combinar idade, anatomia e comparações evolutivas, porque nenhuma característica isolada resolve todas as dúvidas.
Qual estudo científico reforçou a existência do Nanotyrannus como gênero independente?
O estudo publicado na revista Nature, em 30 de outubro de 2025, foi conduzido pelas paleontólogas Lindsay Zanno e James Napoli. A equipe investigou um esqueleto excepcionalmente preservado, conhecido como NCSM 40000, encontrado junto a um Triceratops no conjunto chamado Dueling Dinosaurs.
A análise combinou anatomia comparada, modelos de crescimento e relações evolutivas. Os autores defenderam que Nanotyrannus constitui um gênero distinto de Tyrannosaurus e reconheceram duas espécies: N. lancensis e N. lethaeus. O estudo fortaleceu significativamente essa interpretação, embora a reavaliação de outros fósseis continue importante.

Quais números explicam o valor milionário alcançado pelo fóssil de Nanotyrannus?
O esqueleto Jodi mede aproximadamente seis metros de comprimento e 2,9 metros de altura quando montado. Estima-se que cerca de 70% de seus ossos estejam preservados, proporção considerada excepcional para um fóssil desse grupo.
A Sotheby’s estimava uma venda entre US$ 6 milhões e US$ 9 milhões. Entretanto, seis participantes disputaram a peça durante aproximadamente 12 minutos, elevando o preço final para US$ 47,3 milhões, incluindo taxas.
| Indicador do fóssil Jodi | Informação confirmada |
|---|---|
| Idade geológica | Aproximadamente 67 milhões de anos |
| Comprimento do esqueleto | Cerca de 6 metros |
| Preservação estimada | Aproximadamente 70% |
| Estimativa inicial do leilão | US$ 6 milhões a US$ 9 milhões |
| Preço final em outubro de 2026 | US$ 47,3 milhões |
O que a identificação do Nanotyrannus muda na história dos últimos dinossauros?
Se a classificação proposta estiver correta, o T. rex dividiu seu território com outro predador aparentado, menor e anatomicamente diferente. Isso exigirá revisar estudos que utilizaram fósseis atribuídos a jovens T. rex para reconstruir seu crescimento, alimentação e comportamento.
A venda também reacendeu discussões sobre o destino de fósseis cientificamente importantes. O comprador não foi identificado publicamente, e o acesso futuro dos pesquisadores depende das condições de conservação e disponibilidade da peça. O preço milionário não constitui prova científica de uma classificação: a identidade do animal deve continuar sendo determinada pelas evidências preservadas nos ossos.
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