Crusoé: Blindagem política não funcionou no Paraguai
Atuação do Supremo Tribunal Federal e amplitude dos tentáculos de Vorcaro paralisaram investigação do Banco Master no Brasil
O Banco Central do Brasil (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master há quase um ano. Nenhuma autoridade brasileira renunciou a seu cargo desde então.
No Paraguai, a história foi bem diferente, com os acontecimentos evoluindo em altíssima velocidade.
O escândalo estourou no início desta semana, com as notícias de intervenção do Banco Central no banco Ueno.
A renúncia do presidente Santiago Peña (na foto, com Lula) aconteceu nesta quinta, 5.
O destino diferente que as coisas tomaram no Brasil tem duas explicações: a amplitude dos tentáculos de Daniel Vorcaro na política e a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Paraguai
No Paraguai, o caso Ueno atingiu principalmente o presidente Santiago Peña na arena política.
Outros membros do Partido Colorado, comandado pelo ex-presidente Horácio Cartes, soltaram a mão de Peña quando viram a extensão do estrago, que afetou mais da metade da população.
Se não renunciasse, Santiago Peña sofreria impeachment.
Por aqui, Vorcaro comprou todo mundo: políticos da situação, da oposição, da direita e da esquerda.
Financiou o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Financiou o Instituto Lula e o documentário de Oliver Stone sobre o presidente.
Vorcaro ainda conseguiu comprar boa parte da imprensa e dos influenciadores digitais, ditando reportagens e derrubando matérias incômodas.
Judiciário e aparato legal
Mas a diferença mais marcante talvez seja a influência que Daniel Vorcaro exerceu no Judiciário, no Ministério Público e na Polícia Federal.
Vorcaro é suspeito de ter pago festas para o ministro do STF Nunes Marques, comprado uma participação no resort…
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