“Esperamos que o Paraguai supere esse momento”, diz Trad sobre crise
Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado vai buscar Itamaraty por informações sobre brasileiros no país vizinho
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou nesta quinta-feira, 5, que acompanha com preocupação a crise no Paraguai e disse esperar uma solução que preserve a estabilidade política e institucional do país.
O senador também demonstrou preocupação com os cerca de 270 mil brasileiros que vivem em território paraguaio.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta. A decisão foi anunciada em meio à realização de uma sessão extraordinária na Câmara dos Deputados para analisar a abertura de um processo de impeachment contra ele.
Peña é apontado como responsável pela crise envolvendo o Ueno Bank, maior emissor de cartões de crédito do país. Em vídeo, ele disse que tomou a decisão pensando na estabilidade do país.
O índice de solvência do Ueno Bank, que mede sua capacidade de pagamento, caiu para menos da metade do mínimo exigido após ajustes em seus balanços. Na prática, a decisão suspendeu as operações do banco e deixou milhões de clientes sem acesso às contas.
A situação levou o Banco Central paraguaio a dar início a um procedimento para “proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro”.
O Ministério Público do Paraguai iniciou um processo investigativo sobre o caso, determinando a prisão de oito pessoas ligadas à instituição financeira.
Trad se manifestou sobre os episódios por meio de nota. “Acompanhamos com atenção os acontecimentos no Paraguai e esperamos que as instituições do país encontrem, o mais rapidamente possível, uma solução para essa crise, assegurando a estabilidade política, a continuidade institucional e a segurança da população”, inicou.
“Segundo estimativas do Itamaraty, cerca de 270 mil brasileiros vivem no país vizinho. É uma comunidade expressiva, que mantém vínculos familiares, profissionais e econômicos com o Brasil. Nossa preocupação também envolve os possíveis reflexos dessa situação sobre os brasileiros que vivem, trabalham e empreendem no Paraguai, além dos impactos nas relações comerciais e nos investimentos entre os dois países”.
Ele prosseguiu: “Para Mato Grosso do Sul, essa relação tem importância ainda maior. Compartilhamos uma extensa fronteira e temos projetos estratégicos em andamento, como a Rota Bioceânica, que dependem da cooperação e da estabilidade institucional entre nossos países. Esperamos que o Paraguai supere esse momento, preservando a confiança, a segurança jurídica e a parceria histórica que construímos“.
O presidente Comissão de Relações Exteriores afirmou ainda que vai buscar informações junto ao Itamaraty e à Embaixada do Paraguai no Brasil sobre a situação dos brasileiros que vivem no território paraguaio e os possíveis impactos econômicos na região de fronteira.
“Respeitamos a soberania e as instituições paraguaias. Nosso papel é acompanhar os desdobramentos que possam afetar os interesses brasileiros e trabalhar para preservar e fortalecer a relação de cooperação entre os dois países”, concluiu.
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