Camundongas preferiram lugares mais quentes e sensores nervosos ajudaram a explicar uma diferença entre os sexos
Reduzir a testosterona dos machos os aproximou da preferência das fêmeas por ambientes mais quentes

O que você vai ver
- Que diferença de preferência de temperatura foi observada entre os sexos.
- Que dois sensores nervosos explicam essa diferença.
- Como o experimento das placas metálicas comprovou o mecanismo.
- Que papel os hormônios tiveram nesse comportamento.
- Por que os resultados não podem ser extrapolados diretamente para humanos ainda.
Camundongas preferiram consistentemente lugares mais quentes do que os machos em um experimento de laboratório, e pesquisadores identificaram dois sensores nervosos que ajudam a explicar essa diferença de comportamento entre os sexos.
Que diferença foi observada entre os sexos?
Pesquisadores do King’s College London, liderados por Bruno Vilar e Peter McNaughton, descobriram que camundongas fêmeas preferem um piso a 36°C, enquanto os machos preferem 32°C; segundo os autores, essa diferença entre sexos aparece em todos os mamíferos já estudados, incluindo humanos, mas a base molecular nunca havia sido identificada.

Que sensores explicam essa diferença?
A explicação está em dois tipos de canais nervosos sensíveis à temperatura: o TRPM2, que detecta calor ameno, e o TRPM8, que detecta frio; nas fêmeas, ambos os canais só se ativam em temperaturas mais altas do que nos machos, o que faz um piso agradável para elas ser desconfortável para eles.
Como o experimento comprovou o mecanismo?
Os camundongos foram colocados sobre duas placas metálicas levemente aquecidas, uma fixa e outra variável; machos evitaram a placa a 38°C enquanto fêmeas a preferiram fortemente. Remover geneticamente o sensor de calor fez os machos passarem a preferir temperaturas mais altas, e bloquear o sensor de frio levou as fêmeas a preferir temperaturas mais baixas, confirmando que o efeito vem diretamente dos próprios sensores.
Que papel os hormônios tiveram?
Reduzir a testosterona em machos os aproximou da preferência das fêmeas por calor, e elevar a testosterona em fêmeas as tornou mais avessas ao calor; hormônios femininos não tiveram efeito, e a temperatura corporal foi igual entre os sexos, o que sugere que a diferença está na sensação captada pelas patas, não na temperatura interna do corpo.

Por que ainda não vale para humanos?
Os próprios pesquisadores dizem que humanos têm os mesmos dois tipos de canais sensores e que um mecanismo parecido provavelmente está envolvido na diferença de preferência observada entre homens e mulheres, mas isso ainda é uma inferência baseada em camundongos, não um resultado diretamente testado em pessoas.
Outro estudo que também depende de observar reações sutis do corpo em diferentes condições é a pesquisa sobre orangotangos de Bornéu e os efeitos duradouros dos incêndios florestais sobre reprodução e comportamento social.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na publicação original no Phys.org.
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