O fogo avançou por florestas de Bornéu e pesquisadores alertaram para efeitos duradouros nos orangotangos
Nos dois anos e meio após o incêndio de 2015, nenhuma gravidez foi registrada entre as fêmeas monitoradas

O que você vai ver
- Como está a atual temporada de incêndios na Indonésia.
- O que aconteceu com os orangotangos no incêndio de 2015, usado como referência.
- Que efeitos duradouros foram observados além da destruição imediata.
- Como isso afetou reprodução e comportamento social dos animais.
- Por que a recuperação da população ainda é uma incógnita.
Uma das piores temporadas de incêndios florestais da Indonésia em mais de uma década avançou por áreas de Bornéu em 2026, e pesquisadores que acompanham orangotangos selvagens há mais de 20 anos alertam que os efeitos sobre os animais podem durar muito além das chamas.
Como está a temporada de incêndios atual?
A Indonésia enfrenta em 2026 uma das temporadas de incêndios mais graves em mais de dez anos, combinando condições de El Niño com seca generalizada; turfeiras no oeste, centro e sul de Kalimantan queimam embaixo da terra, liberando fumaça, e o pico da ameaça na Estação de Pesquisa de Orangotangos de Tuanan ocorreu em outubro de 2026, destruindo uma estimativa de 30% da área de estudo até agora.
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— Dr. Erin Vogel 🦧🌿 (@vogel_erin) September 27, 2019
O que aconteceu em 2015, usado como referência?
Em 2015, um incêndio anterior destruiu cerca de 15% da floresta de Tuanan, forçando orangotangos a sair de suas áreas de vida; a neblina de fumaça persistiu por 95 dias na região, e a pesquisadora Maria van Noordwijk, do Instituto Max Planck, relata que os animais pareciam sofrer de problemas respiratórios, tossindo de forma perceptível.
Que efeitos duradouros foram observados?
Depois do incêndio de 2015, a produção de frutos na floresta caiu de forma acentuada por cerca de dois anos e meio, possivelmente pela fumaça restringindo a fotossíntese e por perda de polinizadores; as fêmeas passaram a percorrer distâncias menores, descansar mais, recorrer a alimentos de pior qualidade e perderam massa corporal magra, sinal de que usavam o próprio tecido como fonte de energia.
Como isso afetou reprodução e comportamento social?
Orangotangos deslocados de suas áreas passaram a disputar espaço com outros grupos, aumentando a competição por recursos; fêmeas adultas passaram menos tempo se alimentando perto de parentes, a agressão entre fêmeas não aparentadas cresceu, nenhuma gravidez foi registrada entre as fêmeas monitoradas nos dois anos e meio seguintes ao incêndio, e três das fêmeas mais velhas do estudo desapareceram até o fim de 2017.
Gismo, an adult male we have followed at Tuanan since 2004, came to camp Tuanan in July 2022. Gismo has a long history and has been observed in Tuanan every year since 2004. But he did not start out this big and beautiful! Here is a bit about Gismo and male #bimaturism. https://t.co/T1sr1kfNug
— Dr. Erin Vogel 🦧🌿 (@vogel_erin) July 19, 2022
Por que a recuperação ainda é uma incógnita?
Segundo Meg Crofoot, diretora do Instituto Max Planck de Comportamento Animal, só estações de campo como a de Tuanan conseguem responder à pergunta crucial de qual é o impacto real dos incêndios e quanto tempo os orangotangos levam para se recuperar; van Noordwijk teme que os efeitos do incêndio de 2026 repitam as mesmas pressões observadas em 2015, ou sejam ainda piores.
Assim como o impacto de um incêndio pode continuar anos depois das chamas apagadas, a pesquisa sobre peixes fósseis do Canadá que só revelaram seus segredos por dentro, com luz síncrotron, mostra como efeitos de longo prazo às vezes só aparecem com o tempo.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na publicação original no Phys.org.
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