Alcolumbre explode contra oposição após crise sobre maioridade penal
Presidente do Senado elevou o tom após discurso de líder do PL e questionou adversários que contestaram as urnas eletrônicas
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu às críticas feitas pela oposição após o cancelamento da votação da redução da maioridade penal e fez um discurso em tom de desabafo nesta quarta-feira, 4. Sem citar diretamente o líder do PL, Carlos Portinho (RJ), que havia cobrado o cumprimento de um acordo, Alcolumbre criticou parlamentares que, segundo ele, utilizam ataques pessoais e ofensas para conquistar apoio político.
Na tribuna, o senador afirmou que alguns colegas ultrapassam os limites do debate parlamentar e recorrem a agressões contra a presidência da Casa. Ele classificou o cenário político brasileiro como marcado por um “radicalismo horrível”.
“Algumas vezes, alguns colegas nossos passam apenas do debate para as agressões em relação a esta presidência, seja na tribuna ou seja apenas em um vídeo de rede social, para ofender o presidente do Senado, para talvez conquistar apoiamento desse radicalismo horrível que nós estamos vivendo no Brasil”, declarou.
Alcolumbre também reclamou do uso das redes sociais para disseminar o que classificou como mentiras, ameaças e ataques à reputação de autoridades. Segundo ele, a dinâmica das plataformas tem estimulado manifestações agressivas em detrimento do debate de ideias.
“A coisa maravilhosa que temos hoje, que eram as redes sociais para a gente fazer a divulgação da nossa atividade, se tornou o instrumento de ofensas, de agressões e de mentiras”, afirmou.
Alcolumbre questiona críticas às urnas
Em outro momento do discurso, o presidente do Senado direcionou críticas a parlamentares que questionaram a confiabilidade das urnas eletrônicas após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais.
Alcolumbre argumentou que o mesmo sistema eleitoral foi utilizado no primeiro turno, quando candidatos da oposição conquistaram vagas no Congresso e tiveram resultados favoráveis nas urnas.
“No primeiro turno a urna eletrônica prestou. Essa mesma urna eletrônica que tem 30 anos serviu para eleger 120 deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição. Essa mesma urna eletrônica serviu para eleger vinte e tantos senadores”, disse.
Na sequência, questionou a mudança de discurso de adversários políticos após a derrota do candidato à Presidência no segundo turno.
“Quando abriu no segundo turno não prestou mais a urna. O resultado valeu pro primeiro turno. Eu não achei um Jaime para dizer que estava errada desde o primeiro turno. Eu queria encontrar um para dizer que só deu errado no segundo turno”, afirmou.
O presidente do Senado também acusou adversários de terem conquistado votos com discursos de confronto contra instituições e autoridades, em vez de apresentar propostas para seus estados.
Ao encerrar, Alcolumbre pediu que os parlamentares retomem o debate sobre políticas públicas e deixem de lado os ataques pessoais.
“Estou pedindo a vossas excelências que a gente possa usar esses microfones para pensar o que nós queremos para as próximas gerações”, concluiu.
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