Chefe do BC do Paraguai renuncia em meio à crise do Ueno Bank
Presidente do Paraguai, Santiago Peña, teve participação societária na estrutura empresarial ligada ao Ueno Bank até março de 2025
O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, apresentou na terça-feira, 3, sua renúncia em meio à crise do Ueno Bank, maior emissor de cartões de crédito do país.
O desligamento foi solicitado a pedido do presidente paraguaio, Santiago Peña.
“Diante dos fatos de conhecimento público registrados ao longo do dia, solicitei a renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai.
Além disso, acordamos com os presidentes de ambas as câmaras do Congresso o tratamento de um projeto de lei que autoriza o uso do Fundo de Garantia para iniciar o pagamento imediato aos poupadores. Da mesma forma, esta lei garantirá a devolução dos fundos públicos, do IPS e das demais caixas de aposentadoria públicas.
Insto aos legisladores de todos os setores a aprová-lo com a maior celeridade.
O Banco Central deve informar a toda a cidadania os prazos e mecanismos de devolução dos fundos garantidos.
Este é um caso particular de uma entidade, não do sistema financeiro nacional, e os responsáveis deverão responder perante a Justiça, sem exceções e sem privilégios”, escreveu Peña no X.
A crise do Ueno Bank
O índice de solvência do Ueno Bank, que mede sua capacidade de pagamento, caiu para menos da metade do mínimo exigido após ajustes em seus balanços.
Na prática, a decisão suspendeu as operações do banco e deixou milhões de clientes sem acesso às contas.
A situação levou o BC paraguaio a dar início a um procedimento para “proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro”.
“Nesse contexto, a Superintendência de Bancos providenciará a nomeação de auditores para verificar a situação financeira na data da resolução. Os auditores priorizarão a preservação do patrimônio da entidade e a execução, no âmbito de suas competências legais, das ações necessárias para assegurar o desenvolvimento ordenado do procedimento resolutivo”, informou o Banco Central do Paraguai em comunicado.
O Ministério Público do Paraguai iniciou um processo investigativo sobre o caso, determinando a prisão de oito pessoas ligadas à instituição financeira.
De propriedade majoritária do Grupo Vázquez, o Ueno Bank tem cerca de 3 milhões de clientes e administra cerca de 850 milhões de dólares em fundos públicos no Paraguai.
Santiago Peña
A crise também atinge diretamente o governo Peña.
O presidente do Paraguai teve participação societária na estrutura empresarial ligada ao Ueno Bank, por meio da Ueno Holding, até março de 2025.
O agora ex-presidente do Banco Central paraguaio comandou a financeira Ueno antes de sua transformação em banco, em 2023.
As duas conexões levantam suspeitas de conflito de interesses e questionamentos sobre a fiscalização da instituição.
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