Coelhos robôs ganharam calor, cheiro e movimento para atrair pítons gigantes escondidas num dos maiores pântanos dos Estados Unidos
Pesquisadores da Flórida desenvolveram iscas com sensores, aquecimento e movimentos artificiais para localizar serpentes invasoras escondidas nos Everglades
Nos Everglades, na Flórida, pesquisadores estão utilizando coelhos robóticos que reproduzem calor corporal, cheiro e movimentos de animais verdadeiros para atrair pítons-birmanesas invasoras. Desenvolvidos pela Universidade da Flórida em parceria com autoridades ambientais, os dispositivos possuem câmeras e sistemas de alerta que ajudam equipes especializadas a localizar serpentes escondidas na vegetação.
Por que os Everglades começaram a utilizar coelhos robóticos contra pítons gigantes?
As pítons-birmanesas (Python bivittatus) são originárias do Sudeste Asiático e chegaram à Flórida principalmente pelo comércio de animais exóticos. Indivíduos que escaparam ou foram soltos estabeleceram populações nos Everglades, uma extensa região de pântanos, canais e áreas alagadas localizada no sul dos Estados Unidos.
A expansão dessas serpentes provocou reduções acentuadas nas populações de mamíferos nativos. Entretanto, encontrá-las representa um desafio: sua coloração oferece excelente camuflagem, enquanto a vegetação densa dificulta a observação. Foi nesse cenário que pesquisadores decidiram transformar brinquedos de pelúcia em equipamentos capazes de atrair os predadores.
Como os coelhos robóticos conseguem imitar presas vivas para enganar as pítons?
Os equipamentos possuem aparência semelhante à de coelhos-do-pântano, animais que fazem parte da alimentação das serpentes. Motores internos produzem movimentos, enquanto aquecedores reproduzem assinaturas térmicas. Substâncias odoríferas acrescentam estímulos químicos que podem contribuir para despertar o interesse dos predadores.
A tecnologia reúne diferentes recursos para aumentar as possibilidades de detecção:
- Aquecedores simulam a temperatura corporal de mamíferos;
- Motores reproduzem movimentos de possíveis presas;
- Odores acrescentam estímulos químicos ao ambiente;
- Câmeras monitoram a aproximação das serpentes;
- Sistemas de comunicação enviam alertas às equipes responsáveis.
Uma reportagem da WINK News, publicada em julho de 2025, mostra os coelhos robóticos utilizados nos Everglades e explica como a tecnologia foi desenvolvida para localizar pítons invasoras.
Por que o calor e o cheiro ajudam os coelhos robóticos a atrair serpentes?
As pítons possuem estruturas sensoriais capazes de detectar radiação infravermelha emitida por animais de sangue quente. Esses órgãos, localizados na região dos lábios, ajudam a identificar presas mesmo em condições de pouca luminosidade. Os dispositivos procuram reproduzir justamente os sinais utilizados durante a caça.
O cheiro também pode fornecer informações sobre possíveis fontes de alimento. Entretanto, pesquisas demonstraram que estímulos odoríferos isolados não são necessariamente suficientes para atrair pítons. A combinação de calor, movimento, aparência e substâncias químicas procura superar essa limitação, oferecendo diferentes sinais simultaneamente.
Quem desenvolveu os coelhos robóticos utilizados no controle das pítons invasoras?
O projeto envolve pesquisadores da Universidade da Flórida, incluindo Robert McCleery e Chris Dutton, em colaboração com o South Florida Water Management District. Os profissionais adaptaram coelhos de brinquedo, acrescentando motores, aquecedores, painéis solares e dispositivos de monitoramento.
O comunicado oficial do South Florida Water Management District, publicado em julho de 2025, descreve o funcionamento das iscas. Quando uma câmera identifica uma serpente, o sistema permite avisar as equipes de remoção. A abordagem permanece experimental, e sua eficiência depende de resultados obtidos em campo.

Quantos coelhos robóticos foram colocados nos Everglades e quanto custa cada equipamento?
Em 2025, pesquisadores e autoridades ambientais anunciaram testes com aproximadamente 120 coelhos robóticos. Cada unidade custava cerca de US$ 4 mil, considerando os sistemas utilizados. Os equipamentos funcionam com energia solar e podem ser controlados remotamente, reduzindo a necessidade de presença humana constante.
Em setembro de 2026, pesquisadores informaram que aproximadamente 90 dispositivos estavam em operação. O número representa uma atualização da implantação, não necessariamente a quantidade total fabricada. Os experimentos também avaliam diferentes combinações de estímulos para identificar quais produzem melhores resultados.
| Indicador | Informação |
|---|---|
| Dispositivos testados em 2025 | Aproximadamente 120 |
| Dispositivos em campo em setembro de 2026 | Cerca de 90 |
| Custo por unidade | Aproximadamente US$ 4.000 |
| Alimentação elétrica | Energia solar |
| Espécie monitorada | Python bivittatus |
Os coelhos robóticos poderão ajudar a recuperar os animais nativos dos Everglades?
O principal benefício esperado é facilitar a localização das pítons, permitindo que agentes autorizados realizem sua remoção. Diferentemente das armadilhas tradicionais, os dispositivos procuram atrair serpentes até pontos monitorados. Essa estratégia pode reduzir o esforço necessário para procurar animais camuflados em grandes extensões alagadas.
Entretanto, ainda não existem resultados conclusivos demonstrando que os coelhos robóticos conseguem reduzir significativamente a população invasora. Os pesquisadores precisam medir a frequência de aproximações, a quantidade de capturas e os custos operacionais. Caso apresentem bons resultados, os equipamentos poderão complementar outras estratégias de controle e contribuir para a recuperação da fauna nativa.
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