Uma ave vermelha rara ficou presa numa linha durante um treino no mar e bombeiros interromperam a atividade para resgatá-la
Ave encontrada com a asa ferida em Santa Catarina recebeu atendimento veterinário em região onde a espécie voltou a se reproduzir após décadas de ausência
Um guará-vermelho (Eudocimus ruber) foi resgatado em 5 de setembro de 2026, durante um treinamento dos Bombeiros Voluntários de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. A ave estava com uma asa presa em uma linha de pesca e apresentava ferimentos. O episódio chamou atenção para os riscos dos resíduos pesqueiros em uma região onde a espécie voltou a se reproduzir após um longo desaparecimento.
Como os bombeiros encontraram o guará-vermelho preso durante o treinamento?
A equipe realizava exercícios de busca e salvamento aquático na região do Monte de Trigo, em São Francisco do Sul, quando percebeu uma ave em dificuldades na água. Ao se aproximarem, os socorristas identificaram uma linha enrolada em uma das asas, impedindo o animal de se movimentar normalmente.
O treinamento foi interrompido para realizar a retirada. Os bombeiros removeram o guará cuidadosamente e verificaram os ferimentos provocados pelo material. A ocorrência foi registrada pelo bombeiro David Ary Butzke e divulgada em veículos regionais, mostrando como uma atividade de capacitação acabou se transformando em uma operação de proteção à fauna.
Por que o guará-vermelho resgatado representa uma espécie importante para Santa Catarina?
O guará possui plumagem vermelha intensa, resultado de pigmentos carotenoides presentes em sua alimentação, especialmente crustáceos. Vive principalmente em manguezais, estuários e áreas costeiras rasas, onde encontra alimento e locais apropriados para construir ninhos. Sua presença também depende da conservação desses ambientes.
A trajetória da espécie no litoral catarinense reúne acontecimentos importantes para compreender o resgate:
- O guará pertence à espécie Eudocimus ruber;
- Sua população sofreu forte declínio no Sul do Brasil;
- A ave passou aproximadamente 150 anos sem registros documentados em Santa Catarina;
- Novos grupos foram observados na Baía da Babitonga em 2011;
- A reprodução regional voltou a ser documentada naquele período.

Como uma linha de pesca pode provocar ferimentos graves em aves costeiras?
Linhas sintéticas abandonadas ou perdidas podem permanecer durante longos períodos nos ambientes aquáticos. Quando uma ave entra em contato com o material, movimentos para escapar podem apertar ainda mais os fios, provocando cortes, comprometimento da circulação sanguínea e restrição dos movimentos.
Esse problema está associado à chamada pesca fantasma, quando equipamentos perdidos continuam afetando animais. No caso das aves, o emaranhamento pode impedir o voo, dificultar a alimentação e aumentar o risco de afogamento. A gravidade depende do local atingido, do tempo de exposição e da extensão das lesões.
O que as pesquisas revelam sobre o retorno do guará à Baía da Babitonga?
O pesquisador Alexandre Venson Grose, da Universidade Federal do Paraná, investigou o repovoamento da espécie na região entre 2012 e 2014. Sua tese de doutorado sobre os guarás da Baía da Babitonga, apresentada em 2016, reuniu levantamentos populacionais, observações de ninhos, distribuição geográfica e informações sobre alimentação.
O estudo identificou crescimento expressivo, passando de aproximadamente sete a dez indivíduos para cerca de 600 durante o período acompanhado. A reprodução foi documentada em ilhas do estuário, especialmente na região de Jarivatuba. Os resultados demonstraram que áreas preservadas de manguezal são essenciais para a permanência dessas populações.
O que aconteceu com o guará-vermelho depois que os bombeiros conseguiram libertá-lo?
Após o salvamento, o animal foi encaminhado à Universidade da Região de Joinville (Univille), onde profissionais especializados realizaram avaliação e atendimento veterinário. As informações divulgadas confirmam o encaminhamento, mas não esclarecem se houve necessidade de cirurgia, quanto tempo durou a recuperação ou se a ave posteriormente retornou à natureza.
A reabilitação de aves com ferimentos nas asas exige atenção à integridade dos músculos, articulações e penas. Antes de uma possível soltura, profissionais precisam verificar se o animal consegue voar adequadamente e procurar alimento sem assistência. A recuperação aparente das lesões não garante, isoladamente, condições para sobreviver em liberdade.
| Etapa | Informação confirmada |
|---|---|
| Data | 5 de setembro de 2026 |
| Local | Região do Monte de Trigo, SC |
| Ocorrência | Asa presa em linha de pesca |
| Responsáveis | Bombeiros Voluntários |
| Atendimento | Equipe técnica da Univille |
Como evitar que novos guarás e outras aves sejam vítimas de linhas abandonadas?
A prevenção depende principalmente do recolhimento correto de linhas, anzóis, redes e outros equipamentos utilizados na pesca. Esses materiais não devem ser deixados em praias, costões ou manguezais. Quando encontrados presos à vegetação ou submersos, sua retirada precisa considerar os riscos ambientais e a segurança das pessoas.
O resgate também reforça a importância do monitoramento da Baía da Babitonga, onde a população de guarás voltou a crescer. Proteger os locais de alimentação e reprodução é fundamental para manter essa recuperação, especialmente diante de ameaças como poluição, perda de habitat e interação acidental com equipamentos pesqueiros.
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