Um ciclone extratropical enorme passou pela Islândia e o satélite captou a espiral completa de nuvens sobre o Atlântico Norte
Fotografia do NOAA-21 revela a espiral de nuvens formada pelos remanescentes do furacão Isaias e a rápida intensificação do sistema.
Uma espiral gigantesca de nuvens ocupou o Atlântico Norte perto da Islândia em 14 de outubro de 2026. Era um ciclone extratropical formado a partir dos remanescentes do furacão Isaias, registrado pelo satélite NOAA-21. O fenômeno mostra como uma tempestade pode mudar de estrutura, ganhar força e transportar energia muito além das regiões tropicais.
Como os restos de um furacão viraram um ciclone extratropical?
Depois de atingir a Flórida como furacão de categoria 2 em 9 de outubro, Isaias avançou para nordeste, acompanhado pelos ventos intensos da corrente de jato. Seus remanescentes passaram a interagir com massas de ar de temperaturas diferentes, originando um sistema extratropical.
Ao contrário de um furacão tropical, alimentado sobretudo pelo calor de águas quentes e pela convecção, o novo ciclone extraiu energia dos contrastes de temperatura na atmosfera. A NASA descreveu transformação semelhante no furacão Hermine, em 2016.

O que a fotografia orbital mostrou ao redor da Islândia?
A imagem divulgada pela NASA em 21 de outubro foi captada pelo instrumento VIIRS no NOAA-21, sete dias antes. Ela destaca características visíveis da circulação:
- Nuvens em espiral ao redor de uma extensa baixa pressão.
- Faixas que se estendiam da Groenlândia ao Reino Unido.
- Rotação anti-horária, típica dessas tempestades no Hemisfério Norte.
- Centro do sistema passando próximo ao sul da Islândia.
O que mudou entre o furacão Isaias e a tempestade no Atlântico?
A transformação foi meteorológica, não apenas uma troca de nome. Ao encontrar o ar frio das latitudes altas, o sistema desenvolveu frentes, assimetria e uma circulação muito extensa.
Por que a pressão atmosférica caiu tão rapidamente?
O ciclone passou por ciclogênese explosiva, intensificação associada à rápida queda da pressão no centro. Uma análise da Universidade de Maryland identificou queda de 51 hectopascais em 24 horas, entre 13 e 14 de outubro. Para comparação, perto de 60 graus de latitude, o limiar meteorológico é de 24 hectopascais nesse intervalo.

A tempestade produziu rajada de aproximadamente 205 km/h perto do vulcão Eyjafjallajökull. Ventos dessa intensidade não significam que o sistema continuava sendo um furacão tropical.
Como esses ciclones transportam energia nas latitudes altas?
Os ciclones extratropicais ajudam a redistribuir calor, umidade e movimento entre regiões oceânicas e polares. Frentes e correntes de ar organizam essa troca em escalas que podem atravessar países:
- O ar mais quente e úmido avança para norte.
- Massas de ar frio se deslocam em direção ao sul.
- A ascensão do ar favorece nuvens e precipitação.
- Ventos fortes produzem riscos costeiros e marítimos distantes.
A espiral mostra como uma tempestade pode mudar sem perder força
O sistema que atingiu a Islândia já não dependia do mecanismo tropical de Isaias. Sua energia vinha principalmente do encontro entre massas de ar diferentes e da dinâmica atmosférica sobre o Atlântico Norte. O formato assimétrico da espiral é uma pista dessa transformação.
A observação por satélite ajuda meteorologistas a acompanhar estruturas extensas, identificar frentes e analisar mudanças na circulação. O episódio demonstra que os efeitos de um furacão podem persistir longe dos trópicos, mesmo depois de ele deixar de ser classificado como tropical.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)