Centenas de lentes gravitacionais observadas pelo Hubble estão servindo de mapa para o telescópio Roman procurar milhares de novas distorções no céu
Imagens do Hubble ajudam a identificar arcos cósmicos e a preparar uma busca em escala inédita pelo telescópio Roman, lançado em 2026.
Imagens de centenas de lentes gravitacionais estudadas com o Hubble ajudam astrônomos a preparar a busca que o telescópio espacial Nancy Grace Roman fará em áreas muito maiores do céu. A NASA utiliza distorções já conhecidas para desenvolver métodos de análise. As milhares de novas lentes ainda são uma previsão, não um catálogo concluído.
Como galáxias e aglomerados se tornam lentes gravitacionais?
Uma lente gravitacional surge quando a massa de uma galáxia ou de um aglomerado curva o espaço-tempo. A luz de objetos mais distantes atravessa essa região e chega à Terra por caminhos alterados, aparecendo ampliada, arqueada ou multiplicada.
O fenômeno é previsto pela relatividade geral. Não existe vidro nessa lente natural: sua intensidade depende da distribuição de massa, incluindo a matéria escura, que não emite luz detectável.

O que as imagens do Hubble mostram sobre essas distorções?
O Hubble registra detalhes de sistemas individuais. Uma imagem divulgada pela NASA em outubro de 2026 revela uma lente com duas imagens da mesma galáxia distante. A espiral brilhante no centro do quadro não é a lente principal; o efeito aparece no canto inferior direito:
- A galáxia elíptica dianteira fica a 4,5 bilhões de anos-luz.
- A fonte ampliada está a aproximadamente oito bilhões de anos-luz.
- Um arco luminoso aparece ao lado da galáxia dianteira.
- Um contra-arco menor reproduz a fonte com orientação invertida.
Como Hubble e Roman vão dividir a busca por lentes?
O Hubble oferece imagens nítidas para analisar casos específicos. O Roman combina resolução com um campo de visão muito mais amplo, enquanto modelos computacionais ajudam a reconhecer candidatos.
Quantas lentes gravitacionais o Roman poderá encontrar?
Uma projeção divulgada pela NASA em 2025 estimou mais de 160 mil lentes nas futuras imagens do Roman. O cálculo utilizou uma versão anterior do levantamento de grande área, portanto o número não é uma contagem observada nem uma garantia do resultado final. Naquela estimativa, aproximadamente 500 sistemas teriam características especialmente úteis para investigar a matéria escura.

Enquanto o Hubble permitiu estudar centenas desses sistemas, o Roman deverá formar amostras muito maiores. A quantidade efetivamente identificada dependerá das observações, dos critérios de seleção e da confirmação dos candidatos.
O que tantas lentes revelariam sobre a matéria escura?
A deformação da luz permite estimar a massa das galáxias que funcionam como lentes. Comparar muitos sistemas pode esclarecer como a matéria escura se distribui e evolui:
- Medir a massa total associada às galáxias dianteiras.
- Comparar essa massa com a matéria que emite luz.
- Investigar pequenas estruturas invisíveis nos mapas gravitacionais.
- Selecionar lentes raras para observações de maior detalhe.
O Roman ampliará a busca sem substituir o trabalho do Hubble
Lançado em 30 de agosto de 2026, o Roman ainda passava por preparativos científicos quando a NASA apresentou o trabalho com o Hubble. As milhares de lentes mencionadas são projeções, não descobertas já confirmadas pelo novo observatório.
O Hubble continuará importante para examinar sistemas selecionados, enquanto a cobertura panorâmica do Roman deverá reunir uma amostra maior. Juntos, poderão tornar mais precisos os estudos sobre a distribuição da matéria escura no universo.
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