Um supervulcão que explodiu há 7.300 anos voltou a acumular magma fresco sob o mar e revelou como gigantes vulcânicos se recarregam
Estudo sísmico de 2026 identificou rochas parcialmente fundidas sob uma caldeira japonesa e mostrou como reservatórios se recompõem.
Sob o fundo do mar, ao sul da ilha japonesa de Kyushu, a caldeira de Kikai guarda sinais de reposição de magma após uma erupção gigantesca ocorrida há 7.300 anos. Um estudo publicado em março de 2026 identificou um extenso reservatório parcialmente fundido. O achado ajuda a explicar a recuperação desses sistemas, mas não anuncia uma erupção iminente.
Como a caldeira de Kikai se formou há 7.300 anos?
A antiga erupção Kikai-Akahoya expeliu enormes quantidades de magma, cinzas e outros materiais. O esvaziamento de parte do reservatório subterrâneo provocou o abatimento do terreno, formando a depressão vulcânica chamada caldeira, hoje quase toda submersa.
Uma investigação da Universidade de Kobe estimou entre 133 e 183 quilômetros cúbicos de material em equivalente de rocha densa. Foi uma das maiores erupções do Holoceno, período geológico atual.

Como os pesquisadores localizaram o reservatório sob o mar?
A equipe da Universidade de Kobe e da agência japonesa JAMSTEC examinou a passagem de ondas sísmicas pela crosta. Variações de velocidade revelaram uma região compatível com rocha parcialmente fundida:
- Foram utilizados 39 sismômetros instalados no fundo do oceano.
- Uma fonte acústica emitiu pulsos para sondar as rochas.
- O levantamento percorreu uma linha de 175 quilômetros.
- A anomalia apareceu entre 2,5 e 6 quilômetros de profundidade.
O que diferencia a erupção antiga do magma encontrado agora?
Os dados geofísicos e químicos apontam etapas distintas. O reservatório atual ocupa aproximadamente a mesma região subterrânea da erupção antiga, mas seu material não precisa ter permanecido intacto por milênios.
Por que os cientistas acreditam que o magma é novo?
O domo de lava formado no interior da caldeira, associado à atividade dos últimos 3.900 anos, apresenta composição diferente daquela da grande erupção. Essa diferença sugere injeções posteriores de magma no antigo sistema de armazenamento.

O estudo na Communications Earth & Environment estimou que cerca de 3% a 6% do volume da região identificada esteja fundido, com limite superior estimado de 10%. Portanto, não se trata de uma cavidade totalmente preenchida por lava líquida.
Ter magma acumulado significa que outra supererupção está próxima?
Não há evidência de erupção gigante iminente nesses resultados. A pesquisa descreve a estrutura interna da caldeira, mas não estabelece um prazo para nova atividade. A interpretação exige distinguir quatro pontos:
- A presença de magma não determina a data de erupção.
- A maior parte da região estudada não está fundida.
- Uma imagem sísmica não mede diretamente o crescimento anual.
- Observações repetidas ajudam a investigar mudanças futuras no reservatório.
A recarga de Kikai revela um processo que pode durar milênios
Os resultados apoiam um modelo no qual uma caldeira mantém condições para receber novo material após uma explosão de grandes proporções. Uma análise da Universidade de Kobe relaciona essa hipótese a sistemas como Yellowstone e Toba, sem afirmar que todos tenham comportamento idêntico.
A importância do achado está em reconstruir o ciclo de abastecimento dos grandes vulcões e aprimorar pesquisas de monitoramento. O reservatório observado indica atividade geológica prolongada, não uma contagem regressiva para outra catástrofe.
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