A Ucrânia Brasileira: a cidade do Paraná onde o ucraniano é língua cooficial e a maior cachoeira do Sul despenca de 196 metros
A imigração ucraniana deixou marcas na língua, na religião e nos costumes
Em poucos lugares do Brasil o visitante ouve uma língua do Leste Europeu na padaria e, horas depois, sente no rosto a névoa de uma queda-d’água gigante. Em Prudentópolis, no Paraná, as duas experiências cabem no mesmo dia, porque a herança das famílias ucranianas convive com cânions, rios e mais de uma centena de cachoeiras espalhadas pelo interior do município.
Por que a cidade é chamada de Ucrânia Brasileira?
O apelido nasce da própria população. Colonizada por imigrantes ucranianos a partir do fim do século XIX, a cidade tem três em cada quatro moradores com raízes na Ucrânia, segundo dados apresentados em reunião do Congresso Nacional. O mesmo registro aponta Prudentópolis como o primeiro município do país a reconhecer por lei o ucraniano como língua cooficial, ao lado do português.
A lei municipal veio em 2021, mas o idioma nunca saiu de cena. Ele aparece em placas, cantos litúrgicos, apresentações folclóricas e conversas de família, e a ligação com a terra de origem ganhou forma oficial com a cidade-irmã Ternopil, no oeste ucraniano, região de onde veio boa parte dos pioneiros.

A paisagem que divide o protagonismo com essa herança também impressiona pelos números:
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Como a cultura ucraniana chega à mesa e às festas?
A cozinha é a porta de entrada mais saborosa. De acordo com o portal oficial de turismo Viaje Paraná, o produto típico da cidade é a cracóvia, embutido de carne suína defumada conhecido em todo o país, servido ao lado do borsch, sopa de repolho e beterraba, dos varenyky, massas cozidas com recheios variados, e dos holubtsi, charutos de repolho.
O calendário segue a mesma trilha. Na Páscoa Ucraniana, a cidade monta bazar com artesanato, promove a bênção dos alimentos e recebe apresentações de grupos de dança, enquanto as pêssankas, ovos decorados à mão com desenhos geométricos, viram lembrança disputada. Em agosto, a Capital do Feijão Preto prepara uma feijoada gigante em uma panela registrada no Guinness Book.
Terra das Cachoeiras Gigantes
O segundo apelido é tão comprovado quanto o primeiro. O Salto São Francisco é a maior cachoeira do Sul do Brasil e pode ser admirado de mirantes que não exigem longas caminhadas, segundo o Governo do Paraná. Muitas outras quedas ficam em cânions esculpidos pelos rios que nascem na região.

Quedas que valem a viagem
Entre mirantes acessíveis e trilhas até a base, algumas cachoeiras concentram a melhor experiência na cidade:
- Salto São Francisco: a água despenca de 196 metros e vira névoa antes de tocar o chão, num cenário de paredões na divisa com Guarapuava e Turvo.
- Salto São João: queda de 86 metros com mirante totalmente acessível, centro de visitantes e uma segunda trilha sinalizada até a cabeceira.
- Salto São Sebastião: de cima dele se avista o Salto Mlot, com cerca de 110 metros, despencando bem em frente.
- Salto Barão do Rio Branco: queda de 64 metros no cânion do Rio dos Patos, com escadaria que leva até a base.
- Saltos Gêmeos: duas cachoeiras lado a lado, ambas com mais de 100 metros, fora do roteiro mais conhecido.
- Museu do Milênio: pausa entre uma trilha e outra para entender a imigração, com objetos e tradições das famílias ucranianas.
As tradições da imigração ucraniana e as grandes cachoeiras de Prudentópolis ganham destaque neste vídeo do canal Rolê Família, que apresenta a cultura e as paisagens naturais da cidade paranaense:
Como se preparar para as trilhas e as distâncias
A cidade fica a 207 km de Curitiba e a 450 km de Foz do Iguaçu, cortada pelas rodovias BR-277 e BR-373. As cachoeiras se espalham pelo município, e a maioria é alcançada por estradas de terra depois de um trecho inicial asfaltado, por isso vale se hospedar no centro e ir de carro, ou contratar agência local.
Calçado com boa aderência faz diferença, já que algumas descidas são íngremes: no São Sebastião, por exemplo, a trilha até a cabeceira tem cerca de 500 metros, e a descida até a parte de baixo leva uns 20 minutos. Em dias de chuva, as estradas ganham lama e trechos isolados, e é justamente a chuva que define quanta água as quedas vão exibir em cada época.
Qual é a melhor época para visitar Prudentópolis?
O verão concentra as chuvas e deixa as cachoeiras mais volumosas, enquanto outono e inverno trazem dias mais secos, frios e boas condições para as estradas de terra. Quem quer unir paisagem e cultura pode mirar a Páscoa Ucraniana ou agosto, mês da feijoada, ajustando a roupa ao frio da serra.
Prudentópolis em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas nas médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte o Climatempo.
Um pedaço da Ucrânia entre cânions
Prudentópolis guarda uma combinação difícil de encontrar em outro canto do país: a língua, a comida e as festas trazidas do Leste Europeu dividem espaço com quedas-d’água que figuram entre as mais altas do Brasil. É um destino que se aproveita devagar, entre um prato típico e uma trilha até o próximo mirante.
Você precisa conhecer Prudentópolis e ouvir o ucraniano nas ruas antes de sentir a névoa do Salto São Francisco no rosto.
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