O recado do governador do Piauí para a ala aloprada do governo Lula
Rafael Fonteles usou as redes sociais para reforçar a necessidade de um equilíbrio fiscal, antes de apoiar uma política expansionista de gastos
O governador do Piauí e cotado para assumir o Ministério da Fazenda no governo Lula 4, Rafael Fonteles, voltou a defender a necessidade de um equilíbrio fiscal antes de apoiar uma política expansionista de gastos.
A fala ocorreu pelas redes sociais, após o governador anunciar que manterá o atual secretário de Fazenda do Estado, Emílio Joaquim Júnior.
“Informo ao povo piauiense que o atual Secretário de Fazenda do Piauí, Emílio Joaquim de Oliveira Júnior, irá permanecer nessa Secretaria em nosso próximo mandato. Nossos agradecimentos por aceitar a renovação dessa missão tão importante para garantir o equilíbrio fiscal do Estado do Piauí e, consequentemente, as diversas políticas públicas que melhoram a vida do nosso povo”, disse o governador.
“O Estado do Piauí é o primeiro lugar do Brasil em taxa de investimentos públicos em relação a receita, possui capacidade de pagamento B+ (segundo o Tesouro Nacional), despesa de pessoal controlada (38%), um dos dois únicos estados do Brasil que não tem dívida junto ao Governo Federal e temos taxa de endividamento total inferior à metade da taxa de endividamento de estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais”, acrescentou ele, concluindo.
“Viva o Equilíbrio Fiscal!!”
Fonteles tem sido criticado por integrantes de alas do PT justamente por defender “os interesses dos banqueiros” e ser contra uma política expansionista de gastos antes da adoção de um programa de ajuste fiscal.
Boulos quer gastar mais, e mais, e mais…
Neste domingo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), rejeitou a pressão por um ajuste fiscal no próximo governo Lula. Em entrevista à Folha, ele classificou as cobranças do mercado por cortes de gastos como uma “chantagem”.
“Os governos Lula sempre tiveram equilíbrio fiscal. A diferença é que a gente não aceita ajuste fiscal que corta no SUS e na educação, o tesouraço que o Flávio propunha. Esse programa foi derrotado nas urnas. Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular. Isso é anular a democracia”, afirmou.
Questionado sobre o crescimento da dívida pública, que passou de 71,7% para 82,5% do PIB entre o fim de 2022 e julho de 2026, Boulos comparou a situação brasileira à de outras economias e disse que o endividamento também aumentou nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e na China.
“Mas algum desses países deixou de fazer um projeto de desenvolvimento nacional? Pelo contrário”, afirmou, ao contestar a pressão por medidas de contenção de gastos.
Promessas de Lula
A dívida pública brasileira passou de 72% para 83% do PIB entre 2023 e 2026.
Apesar do aumento do endividamento e da pressão por controle dos gastos, Lula prometeu ampliar programas sociais em seu discurso da vitória. Entre as medidas anunciadas estão a universalização do Pé-de-Meia, hoje voltado a estudantes de baixa renda, e a criação de uma versão universitária do programa.
A ampliação do benefício para todos os alunos do ensino médio poderia custar até R$ 24 bilhões por ano. Já o Pé-de-Meia universitário teria impacto estimado em R$ 4,6 bilhões anuais.
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