PL e PT devem se unir para rejeitar reforma eleitoral proposta por Motta
No sistema distrital misto, metade dos deputados seriam eleitos pelo sistema proporcional. A outra metade por distritos
As bancadas do PL e do PT indicaram ao longo da semana passada que devem se unir contra o modelo de reforma eleitoral proposto pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).
Como mostramos, Motta fechou acordo com integrantes do Centrão para aprovar o sistema distrital misto e acabar com o sistema proporcional. A medida visa combater os chamados “puxadores de votos”, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
No sistema distrital misto, metade dos deputados seriam eleitos pelo sistema proporcional. A outra metade por distritos.
Na quinta-feira da semana passada, o líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), declarou ser contrário à mudança do sistema eleitoral.
“Como líder da oposição na Câmara dos Deputados, depois de ouvir a bancada que lideramos, somos contrários à mudança da legislação eleitoral sobre o voto distrital misto”, escreveu. A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) também iniciou uma campanha contra a mudança.
O PL, em teoria, seria o partido mais atingido pela mudança. Os dois deputados federais mais votados do país em 2026 pertencem à legenda: Nikolas Ferreira (PL-MG) recebeu 3.119.318 votos, enquanto Lucas Pavanato (PL-SP) obteve 3.038.438.
As votações expressivas ajudaram o partido a conquistar cadeiras adicionais em Minas Gerais e São Paulo. Nikolas contribuiu para a eleição de outros 13 deputados em Minas, enquanto Pavanato ajudou a garantir outras sete vagas em São Paulo.
O PT também tem se manifestado contra a proposta articulada pelo presidente da Câmara dos Deputados. O PV, que integra federação com PT e o PCdoB, ainda não definiu posição. O PSOL também é contra a mudança.
A O Antagonista, a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que o PT historicamente defende o voto em lista e se posiciona contra tanto o sistema distrital puro quanto o misto. “É muito difícil ao partido mudar essa posição”, disse.
A líder do PCdoB na Câmara, Jandira Feghali (RJ), foi ainda mais direta. “Somos contra o voto distrital misto”, afirmou à reportagem.
“Ainda não tenho opiniao formada sobre. Só acho que precisamos buscar alternativa para impedir que determinadas candidaturas arraste vários deputados em função de ter votação expressiva”, admitiu o deputado Nilto Tatto (PT-SP).
Lista x distrital misto
O sistema proporcional de lista distribui as cadeiras de acordo com a votação obtida pelos partidos ou federações. No modelo de lista aberta, adotado atualmente no Brasil, o eleitor pode votar em um candidato ou diretamente na legenda, e as vagas conquistadas por cada partido ou federação são ocupadas pelos candidatos mais votados dentro daquele grupo.
Há também o modelo de lista fechada, no qual o eleitor vota no partido, e as cadeiras são preenchidas conforme uma ordem de candidatos previamente definida pela legenda.
O voto distrital misto, por sua vez, combina dois mecanismos: uma parcela dos representantes é escolhida em distritos eleitorais e outra é definida pelo sistema proporcional de listas. Os detalhes, como a proporção de cadeiras destinada a cada modalidade e a forma de composição dos distritos, dependem do desenho da proposta.
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