Muito antes dos híbridos modernos, um sedã popular já conseguia funcionar com quatro tipos de combustível e deixar a central eletrônica decidir quando utilizar cada um
A proposta exigiu mudanças no motor, no porta-malas e no gerenciamento de alimentação para acomodar diferentes opções de abastecimento.
Em 2006, a indústria brasileira já discutia alternativas para reduzir o gasto com combustível, mas um sedã compacto levou a ideia a um caminho incomum. O Fiat Siena 1.4 Tetrafuel chegou ao mercado com quatro opções de abastecimento e gerenciamento eletrônico próprio.
Como o Siena Tetrafuel escolhia o combustível?
Uma central eletrônica avaliava as condições de funcionamento do motor e selecionava a alimentação considerada mais adequada. A Fiat descreveu o sistema como integrado, sem exigir que o motorista trocasse manualmente de combustível a cada mudança de situação.
Na apresentação de 2006, a fabricante informou que o GNV era priorizado por economia. Se sensores identificassem necessidade de torque extra, como em uma ultrapassagem ou subida íngreme, a central passava para combustível líquido e depois podia retornar ao gás.

Quais eram os quatro combustíveis disponíveis?
O Siena podia utilizar etanol hidratado, gasolina brasileira com etanol anidro, gasolina pura e gás natural veicular. As três primeiras opções eram líquidas; a quarta exigia um circuito específico para o gás armazenado em cilindros.
A diferença entre gasolina brasileira e gasolina pura fazia parte da proposta original, que aceitava combustíveis comercializados em mercados distintos. A porcentagem de etanol na gasolina brasileira mudou ao longo dos anos, por isso os comunicados históricos devem ser lidos conforme a data.
As quatro alternativas eram:
Como acontecia a troca entre gás e combustível líquido?
O gerenciamento eletrônico coordenava os injetores e os sensores para mudar a alimentação sem exigir uma ação contínua do motorista. A prioridade pelo GNV buscava aproveitar seu custo de uso, enquanto a troca para líquido atendia situações de maior demanda do motor.
A Fiat afirmava que a comutação ocorria sem trancos e que o sistema retornava ao gás quando ele voltava a ser a opção mais conveniente. A lógica era diferente de uma chave que simplesmente alternava entre dois combustíveis por escolha fixa do condutor.
Quais adaptações foram necessárias no carro?
O Tetrafuel não era um Siena comum que recebia apenas cilindros instalados depois da compra. O motor 1.4 ganhou coletor de admissão com quatro injetores exclusivos para GNV, além de material e geometria específicos nas sedes das válvulas.
O assoalho do porta-malas foi reforçado para receber os cilindros e seus suportes. A Fiat informou capacidade de até 6,5 metros cúbicos por cilindro, sob pressão de 200 bar, além de molas específicas na suspensão e ajustes nos freios traseiros.
As principais mudanças tinham funções distintas:
O funcionamento mudou nos anos seguintes?
Sim. Em janeiro de 2009, a Fiat documentou duas opções de operação: Flex e Auto. No modo Flex, o motorista utilizava apenas combustíveis líquidos; no Auto, o sistema podia incluir o GNV e administrar as mudanças entre as quatro alternativas.
A atualização delimitou melhor a participação do gás natural. O condutor escolhia previamente o modo Auto ou Flex, mas, dentro do Auto, a central continuava responsável por selecionar e alternar o combustível conforme a necessidade.
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O Tetrafuel era um carro híbrido?
Não. O Siena Tetrafuel continuava sendo um automóvel de combustão interna, com motor 1.4 preparado para receber combustíveis diferentes. A tecnologia não combinava motor elétrico de tração e motor a combustão, como ocorre em um sistema híbrido.
A inovação estava na alimentação e no gerenciamento eletrônico, não na eletrificação. O comunicado de lançamento de 2006 detalha o projeto; a atualização de 2009 registra os modos Flex e Auto.
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