Dinamarca abre ponte de quase 4 km construída com enormes segmentos transportados sobre o mar, mas os trens ainda precisam esperar pela conclusão da nova ferrovia
A travessia rodoviária foi aberta em março de 2026, após a instalação marítima de grandes vigas de concreto.
Na Dinamarca, a ponte de quase 4 km que cruza o estreito de Storstrøm já recebe carros, bicicletas e pedestres desde março de 2026. Seus enormes blocos de concreto viajaram pelo mar até os apoios, enquanto os trilhos foram previstos no mesmo tabuleiro, mas os trens ainda não circulam pela estrutura.
Uma ponte de quase 4 km já aberta aos veículos
A travessia sobre Storstrøm, chamada de Ponte Rainha Margarida II, liga a região da Zelândia à ilha de Falster, passando por Masnedø. O tráfego rodoviário começou em 23 de março de 2026, antes da cerimônia oficial de junho. Esses marcos pertencem a etapas diferentes da entrega.
Os carros dividem a estrutura com um caminho para pedestres e ciclistas, enquanto a futura ferrovia terá duas linhas eletrificadas. A construção foi pensada para melhorar a conexão regional e servir ao corredor ferroviário europeu. Essa função ajuda a explicar o tabuleiro largo e as cargas previstas para diferentes veículos.

Por que transportar pelo mar segmentos tão grandes?
As grandes vigas-caixão pré-fabricadas foram produzidas em terra para reduzir a necessidade de moldar todo o tabuleiro sobre o estreito. A operação combinou uma fábrica, transporte marítimo e equipamentos de içamento para montar a ponte sobre apoios já preparados.
Cada grande peça tinha cerca de 73 metros de comprimento, 24 metros de largura e massa próxima de 4 mil toneladas.
As etapas da montagem marítima envolveram estas funções:
Como os apoios mantêm o tabuleiro sobre o estreito?
Os pilares e fundações recebem cargas das vigas e as transmitem ao terreno sob a água. A ponte possui ainda um trecho estaiado, em que cabos inclinados levam esforços à torre com aproximadamente 102 metros de altura. O sistema estrutural muda conforme a distância entre os apoios. Cada elemento de apoio desempenha uma função:
- Fundações: Conduzem esforços ao terreno sob a água.
- Pilares: Recebem as vigas do tabuleiro.
- Vigas-caixão: Distribuem cargas ao longo dos vãos.
- Estais: Sustentam o trecho próximo à torre.
A primeira fundação de pilar foi instalada em 2020, enquanto a torre atingiu sua altura final em 2024. O último segmento também foi montado naquele ano, mas instalações e acabamentos prosseguiram até a liberação viária. Terminar a estrutura de concreto não significa concluir todos os sistemas de transporte.

A nova travessia prepara um corredor ferroviário maior
A ponte substitui uma travessia de 1937 e integra um corredor ferroviário que deverá ganhar importância. As linhas eletrificadas foram projetadas para até 200 km/h, mas rodovia e trilhos seguem cronogramas diferentes. A utilização de cada modalidade depende da etapa de entrega correspondente.
No Brasil, uma ponte sobre o rio São Francisco busca criar outra alternativa viária, enquanto propostas de trem-bala de alta velocidade mostram por que construir infraestrutura não equivale a inaugurar trens.
Rodovia e ferrovia têm estruturas e marcos operacionais próprios:
| Modalidade | Situação | Previsão | Infraestrutura |
|---|---|---|---|
| Carros | Liberados | 23/03/2026 | Via rodoviária |
| Bicicletas e pedestres | Liberados | Março de 2026 | Caminho próprio |
| Trens | Sem circulação | Prevista para 2027 | Duas vias eletrificadas |
Quando os trens poderão cruzar a ponte?
A autoridade rodoviária dinamarquesa prevê a abertura da ferrovia em 2027. Até novembro de 2026, carros, pedestres e ciclistas já usavam a travessia, enquanto a operação sobre trilhos dependia de etapas próprias. Uma previsão de início não comprova a circulação ferroviária.
A Itinera, responsável pela construção, registrou a cerimônia de 6 de junho, posterior à abertura aos automóveis. É uma entrega por etapas na qual a mesma ponte passa a prestar serviços diferentes em datas distintas, sem que a inauguração rodoviária antecipe automaticamente a ferroviária.
O vídeo complementar sobre a construção da ponte está disponível no canal TV2:
A montagem marítima resolveu apenas parte do desafio
Produzir vigas em terra, transportá-las pelo mar e colocá-las sobre apoios exigiu precisão de engenharia numa escala incomum. Também foi necessário integrar um trecho estaiado e reservar área para a futura ferrovia. Os grandes segmentos de concreto são apenas uma parte do sistema completo.
Hoje, a travessia já oferece uma ligação rodoviária moderna entre as regiões. A circulação ferroviária deverá ampliar sua função, reforçando o valor da ponte de quase 4 km como parte de uma rede maior, com entrega progressiva e operação associada a cada modal.
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