Animal que não era visto há 120 anos reaparece nas montanhas e surpreende cientistas que tentavam encontrá-lo
Uma longa busca em ambiente montanhoso encontrou sinais que mudam o conhecimento sobre a distribuição de um mamífero raro.
Nas montanhas do sul do México, um coelho pequeno, de cauda preta, reapareceu nos registros dos pesquisadores após mais de um século. O coelho-de-Omiltemi (Sylvilagus insonus) foi localizado durante buscas que também mostraram como moradores da região conheciam o animal havia muito tempo.
Por que o coelho-de-Omiltemi ficou tanto tempo fora dos registros?
O último material científico antigo da espécie remontava a 1904, quando Edward William Nelson coletou exemplares em Guerrero. A falta de observações posteriores por pesquisadores criou uma longa lacuna no conhecimento zoológico.
Essa ausência nunca demonstrou extinção. Em 1998, caçadores locais haviam entregue uma pele a cientistas, enquanto moradores continuavam reconhecendo os coelhos das montanhas. Os encontros comunitários e a documentação acadêmica seguiram caminhos diferentes.

Como os pesquisadores conseguiram reencontrar o animal?
A equipe liderada pelo ecólogo José Alberto Almazán-Catalán começou as buscas em 2019. Depois de procurar inicialmente perto de Chilpancingo, os pesquisadores passaram a investigar outras florestas altas da Sierra Madre del Sur.
A investigação se estendeu por cinco anos e cobriu dez áreas de Guerrero. O animal foi localizado em sete delas, resultado divulgado em 23 de janeiro de 2025 pela organização de conservação Re:wild.
Os resultados de campo ajudam a separar quatro etapas da busca:
Quais características separam esse coelho de outros da região?
A cauda curta e preta é sua marca mais fácil de perceber. Embora seu nome inglês inclua a expressão usada para coelhos de cauda branca, os animais documentados não apresentavam manchas brancas na cauda.
O coelho-de-Omiltemi também é menor do que outros coelhos locais e possui orelhas mais curtas. Esses detalhes ajudam na identificação, mas reconhecer o animal exige observar o conjunto das características, não somente uma fotografia isolada.
O que a busca revelou sobre as florestas das montanhas?
O animal ocupa florestas de coníferas de altitude, dentro de uma distribuição aparentemente restrita na Sierra Madre del Sur. A pesquisa ampliou os locais onde os cientistas puderam confirmar sua presença, sem estabelecer uma população total.
A rede de conhecimentos locais ajudou os pesquisadores a procurar nos lugares certos. As informações de caçadores e moradores foram importantes para uma busca que, inicialmente, não encontrara sinais nas áreas mais próximas da capital estadual.
Três aspectos ajudam a interpretar o registro:
Encontrar o coelho significa que a espécie está protegida?
Não. Localizar indivíduos em sete áreas não permite afirmar que os animais sejam abundantes ou que todos os habitats estejam seguros. A equipe ainda quer entender melhor comportamento, reprodução e tamanho da população.
Os pesquisadores defendem ações com moradores e órgãos ambientais, considerando possíveis efeitos da caça e da transformação do habitat. A redescoberta científica é um ponto de partida para estudar ameaças, não um certificado de recuperação.
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Por que o conhecimento dos moradores mudou a pesquisa?
A história mostra a diferença entre um animal desconhecido da literatura recente e um animal desconhecido para quem vive no território. Para comunidades das montanhas de Guerrero, o coelho continuava reconhecível antes da divulgação internacional.
O levantamento da Re:wild sobre a espécie reuniu dados úteis para pesquisas futuras. O gênero Sylvilagus, entre os coelhos, reúne animais diferentes, cujas distribuições precisam ser examinadas individualmente.
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