Pequeno animal venenoso que desapareceu há quase 90 anos reaparece em jardins e surpreende moradores
Registros de resgate acumulados durante uma década revelaram a situação de um primata raro que enfrenta riscos perto das casas.
Olhos grandes e movimentos lentos não impediram um pequeno primata de enfrentar estradas, fios elétricos e perda de floresta. O lóris-lento-de-Bangka (Nycticebus bancanus) voltou à literatura científica em 2026, mas moradores da ilha indonésia já pediam socorro para esses animais havia anos.
Por que o lóris-de-Bangka era considerado perdido pela ciência?
A espécie estava sem documentação científica publicada desde a década de 1930, o que alimentou dúvidas sobre sua sobrevivência. A classificação de conservação chegou a indicar a possibilidade de extinção, além do perigo crítico.
Na própria ilha de Bangka, porém, moradores continuavam encontrando esses primatas. A ausência nos artigos científicos não apagou as observações cotidianas registradas por equipes locais de resgate e autoridades.

Como os resgates deram origem à redescoberta?
O centro indonésio Alobi registrou o resgate de mais de 90 indivíduos entre 2015 e 2025. Esses encontros forneceram a base de um estudo divulgado em outubro de 2026 na revista científica Spixiana.
Pesquisadores do Haus des Meeres, na Áustria, e do Taman Safari Prigen trabalharam com a Alobi para transformar os dados acumulados em documentação científica. A notícia foi publicada pela Re:wild em 20 de outubro de 2026.
Em que situações esses primatas foram encontrados?
Os relatos de resgate abrangem quintais, estradas e redes elétricas, além de outros espaços alterados pela presença humana. A proximidade das moradias não significa que o animal seja doméstico ou esteja adaptado com segurança às cidades.
Os registros alcançaram quatro regências da ilha e a cidade de Pangkal Pinang. Essa distribuição sugere sobrevivência em diferentes pontos, mas o total resgatado não representa uma contagem de toda a população selvagem.
Os registros mostram onde a convivência se tornou perigosa:
O que torna o lóris-lento um primata venenoso?
Os lóris-lentos possuem uma secreção produzida em glândulas próximas aos braços que pode se misturar à saliva. Essa combinação participa de um mecanismo de defesa e torna a mordida potencialmente perigosa.
Embora pequenos e de aparência delicada, são animais silvestres, não bichos para manipular ou criar em casa. A observação da espécie em jardins reforça a necessidade de acionar equipes habilitadas, sem tentar segurá-la.
Os resgates resolveram o risco de desaparecimento?
Não. Do conjunto documentado, 86 lóris se recuperaram e foram libertados em sete locais escolhidos pela equipe de conservação. Outros animais sofreram ferimentos graves, inclusive associados a instalações elétricas.
A pressão sobre o habitat continua, com mineração de estanho e expansão de plantações de palma. A espécie permanece sob grave ameaça; resgatar indivíduos não substitui proteger as florestas e acompanhar a sobrevivência após a soltura.
Os números do levantamento delimitam o que foi registrado:
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O que os cientistas ainda precisam investigar?
É preciso estimar o tamanho das populações, estudar sua genética e acompanhar animais devolvidos à natureza. Os números de resgate revelam encontros com pessoas, mas não permitem deduzir quantos lóris vivem livres na ilha.
A família dos lorisídeos inclui outros primatas arborícolas asiáticos. A documentação dos resgates em Bangka trouxe evidência de sobrevivência e tornou mais urgente uma estratégia de conservação de longo prazo.
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