Maior açude do Brasil tem capacidade para armazenar 6,7 bilhões de metros cúbicos, ocupa áreas de quatro municípios e mudou o sertão ao submergir uma cidade
A obra no rio Jaguaribe está ligada ao abastecimento e à irrigação do Ceará e também à história da criação de Nova Jaguaribara.
No sertão do Ceará, o açude Castanhão mudou o curso da água e o endereço de uma população inteira. Com capacidade de 6,7 bilhões de metros cúbicos, o reservatório alcança áreas de quatro municípios.
Por que o açude Castanhão foi construído?
As longas estiagens tornaram o armazenamento de água uma necessidade permanente no vale do rio Jaguaribe. O Castanhão, oficialmente chamado Açude Público Padre Cícero, nasceu dessa demanda: reunir reserva hídrica estratégica, permitir diferentes usos e oferecer maior capacidade de regular o fluxo do rio ao longo do ano.
As obras começaram em 1995 e a conclusão é registrada em 2003 pelo cadastro técnico do DNOCS. O reservatório serve a abastecimento urbano, irrigação e piscicultura, além de ajudar na regulação das vazões. Essa combinação explica por que seu tamanho importa mesmo fora dos períodos de seca.

Os 6,7 bilhões de metros cúbicos indicam capacidade
A cifra que acompanha o açude Castanhão descreve o volume máximo nominal do projeto, não a quantidade efetivamente guardada a cada dia. Chuva, evaporação, retirada de água e liberações controladas modificam o nível do lago. Por isso, capacidade e armazenamento atual são medidas diferentes.
Na história e características do Castanhão, o tamanho impressiona, mas o funcionamento depende da água disponível em cada período. Um reservatório não permanece necessariamente cheio: suas reservas variam conforme as condições hidrológicas e as demandas de uso, enquanto a capacidade estrutural continua a mesma.
Quais municípios aparecem na área do empreendimento?
O alcance territorial da obra não se resume ao lugar onde foi erguida a barragem. O decreto federal de 1990 identifica Alto Santo, Jaguaribara, Jaguaretama e Jaguaribe na área da bacia hidráulica e da faixa seca prevista para a implantação. Esse conjunto define quatro municípios no perímetro oficial do empreendimento.
Essa divisão ajuda a entender o impacto do empreendimento no território. Parte das terras relacionadas à implantação estava destinada à formação do lago e a áreas de apoio, enquanto a barragem propriamente dita é situada em Alto Santo pelo órgão responsável. São recortes geográficos distintos, que não devem ser confundidos.

Nova Jaguaribara nasceu antes de a água cobrir a antiga sede
A transformação mais visível ocorreu em Jaguaribara. A antiga sede municipal estava na área atingida pelo futuro reservatório, e uma cidade planejada foi construída para receber a população. Nova Jaguaribara foi inaugurada em 25 de setembro de 2001, antes da conclusão registrada da barragem.
Três aspectos concretos ajudam a organizar os fatos:
- Reserva de água: o projeto ampliou a capacidade regional de armazenamento para usos diversos.
- Território afetado: quatro municípios constam na delimitação oficial da implantação.
- Mudança urbana: a antiga sede foi substituída por Nova Jaguaribara, em área diferente.
A antiga área urbana ficou sob as águas, mas o município não desapareceu. Famílias, serviços públicos e a vida cotidiana passaram a ocupar outro espaço. Essa diferença é essencial: falar em cidade submersa significa descrever a sede anterior, não afirmar que Jaguaribara deixou de existir.
Como o reservatório atende ao sertão?
Ao reunir água em grande escala, o Castanhão pode apoiar demandas que competem entre si em períodos secos. Abastecimento, irrigação e criação de peixes aparecem entre seus usos documentados. A distribuição para outras áreas, porém, depende de canais, regras de operação e da disponibilidade real de água.
O reservatório integra um quadro mais amplo de obras de transporte de água no Nordeste. A existência de grandes estruturas não elimina a variabilidade das chuvas, mas cria alternativas de gestão para períodos difíceis. O planejamento precisa considerar consumo humano, atividade produtiva e limites da reserva.
A dimensão humana que permanece no mapa
As dimensões físicas do Castanhão contam apenas parte da história. Há também uma mudança de endereço coletivo, com referências da antiga sede transferidas para uma cidade planejada. O lago passou a ocupar o espaço anterior e a reorganizar a relação de moradores com o rio Jaguaribe.
Outros projetos buscam garantir produção de água potável por caminhos diferentes, mas a experiência do Castanhão mostra que infraestrutura hídrica também envolve decisões territoriais. Sua capacidade de projeto é enorme; o significado da obra inclui o que foi construído e o que precisou mudar de lugar.
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