Morcegos podem ter começado sua história evolutiva na Europa antes de se espalhar pelo planeta há cerca de 60 milhões de anos
Estudo com 103 genomas e 44 fósseis reposiciona a origem dos morcegos na Europa e revela pistas sobre a evolução do voo e da ecolocalização
Uma investigação internacional mudou o mapa da origem dos morcegos. A análise de 103 genomas e 44 fósseis indica que os primeiros morcegos provavelmente surgiram na Europa há aproximadamente 65 milhões de anos, antes de se espalharem pela África e outros continentes. Publicado em setembro de 2026, o estudo também revela pistas sobre quando esses mamíferos desenvolveram o voo e a ecolocalização.
Por que a origem dos morcegos permaneceu controversa durante décadas?
Os morcegos são os únicos mamíferos capazes de voo ativo e representam mais de um quinto das espécies vivas de mamíferos. Entretanto, seus primeiros representantes deixaram poucos fósseis, dificultando a identificação do continente onde começaram sua evolução.
Pesquisas anteriores apontavam possíveis origens na África, Ásia ou América do Norte. O problema era que os fósseis mais antigos, com aproximadamente 56 a 52 milhões de anos, já pertenciam a animais capazes de voar. Portanto, as transformações iniciais precisavam ter acontecido anteriormente.
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O que os genomas revelaram sobre a origem dos morcegos na Europa?
O consórcio internacional Bat1K reuniu sequências genéticas de 103 espécies, incluindo representantes das 21 famílias atualmente reconhecidas. A equipe acrescentou informações anatômicas de fósseis para reconstruir uma árvore evolutiva mais abrangente do que aquelas produzidas anteriormente.
Os resultados favoreceram uma origem europeia no Paleoceno Superior, aproximadamente 65 milhões de anos atrás. Os descendentes desses primeiros animais provavelmente alcançaram a África e, posteriormente, se dispersaram por outras regiões durante o início do Eoceno.
A investigação reuniu evidências importantes:
- Genomas completos de 103 espécies atuais;
- Dados genéticos novos de 42 espécies;
- Informações anatômicas de 44 fósseis antigos;
- Representantes das 21 famílias viventes;
- Reconstruções geográficas considerando a movimentação continental.
O vídeo When Bats Took Flight, do canal científico PBS Eons, apresenta os primeiros fósseis conhecidos e discute como o voo e a ecolocalização podem ter surgido. O material é anterior ao estudo de 2026.
Como os primeiros morcegos conseguiram se espalhar por tantos continentes?
A capacidade de voar transformou profundamente as possibilidades de dispersão desses animais. Diferentemente de mamíferos terrestres, os morcegos podiam atravessar barreiras geográficas e alcançar novos ambientes, embora grandes distâncias oceânicas continuassem representando obstáculos.
Os modelos indicaram que Europa e África funcionaram como um importante centro inicial de diversificação. A partir dessa região, diferentes linhagens alcançaram as Américas, a Ásia e a Austrália, aproveitando oportunidades ecológicas que surgiram durante mudanças ambientais do início do Eoceno.
Como os cientistas combinaram DNA e fósseis para reconstruir essa história?
O estudo publicado na revista Nature, em 23 de setembro de 2026, envolveu 137 pesquisadores do consórcio Bat1K. A equipe analisou genomas de alta qualidade, informações cromossômicas e 699 características anatômicas distribuídas entre espécies atuais e extintas.
Os pesquisadores empregaram modelos estatísticos que consideram extinções, dispersões geográficas e mudanças na posição dos continentes. A reconstrução favoreceu fortemente a Europa como região ancestral, mas essa conclusão representa uma inferência científica, não a descoberta direta do primeiro morcego.

O que os fósseis revelaram sobre o surgimento do voo e da ecolocalização?
A capacidade de voar provavelmente já existia nos primeiros morcegos que deram origem às linhagens atuais. A nova árvore evolutiva também posicionou o fóssil Vielasia, encontrado na França e datado de aproximadamente 50 milhões de anos, em um ramo muito antigo do grupo.
Suas características anatômicas indicam que a ecolocalização laríngea surgiu antes da diversificação dos morcegos modernos. Entretanto, ainda não é possível estabelecer com segurança se a ecolocalização apareceu antes do voo ou se as duas capacidades evoluíram próximas no tempo.
| Marco evolutivo | Idade aproximada | Evidência |
|---|---|---|
| Origem provável na Europa | 65 milhões de anos | Reconstrução genética e geográfica |
| Diversificação inicial | Cerca de 56 milhões de anos | Modelos evolutivos |
| Primeiros fósseis conhecidos | 56–52 milhões de anos | Restos preservados em vários continentes |
| Fóssil Vielasia | Cerca de 50 milhões de anos | Indícios de ecolocalização antiga |
Por que essa descoberta pode transformar o estudo da evolução dos mamíferos?
A reconstrução oferece uma base mais consistente para investigar características como longevidade, resistência a doenças, metabolismo e especializações sensoriais. Também ajuda a compreender como diferentes famílias de morcegos ocuparam ambientes ao redor do planeta.
Entretanto, o registro fóssil continua incompleto, principalmente nas regiões tropicais. Novas descobertas poderão modificar datas e rotas de dispersão. A origem europeia é atualmente a interpretação favorecida por essa análise, mas ainda depende de evidências futuras para ser confirmada com maior precisão.
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