Márcio Coimbra na Crusoé: Fronteiras da democracia
Para a diplomacia americana, o asilo é a materialização fática de que o devido processo legal foi severamente comprometido no Brasil
A história diplomática brasileira tem em Washington um de seus pilares fundadores e mais estáveis.
Desde o pioneirismo americano ao reconhecer a independência do Brasil, a relação entre as duas nações tem sido pautada por um pragmatismo maduro.
Contudo, o atual cenário desenha no horizonte aquela que pode ser a mais profunda e complexa fratura institucional na história dessa aliança secular.
O ceticismo manifestado pela atual gestão de Donald Trump em relação ao processo político brasileiro não é um mero capricho retórico, mas reflete uma deterioração severa e calculada na percepção americana sobre a estabilidade das garantias democráticas no Brasil.
O estopim para a atual crise repousa nos desdobramentos das eleições do último domingo, que alçaram Lula a um inédito quarto mandato após uma disputa acirrada contra Flávio Bolsonaro.
Para setores influentes no exterior, o pleito foi maculado por fortes suspeitas de irregularidades e por um drástico desequilíbrio no campo de jogo.
A percepção em Washington é a de que a vitória governista esteve amparada por decisões questionáveis da cúpula do Judiciário…
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