Uma espécie de tecido criada para proteger plantações elevou a produção de morangos em até 3,56 vezes sem bloquear chuva e luz
Testes nos Estados Unidos associaram a cobertura Plant Armor a mais frutos, amadurecimento antecipado e proteção física contra insetos.
Um tecido agrícola tridimensional desenvolvido na Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, fez plantas de morango produzirem até 3,56 vezes mais frutos colhíveis em testes de campo com túneis. Chamado Plant Armor, o material dificulta a passagem de insetos, mas permite a entrada de luz, chuva e ar. O resultado ainda precisa ser reproduzido em lavouras comerciais.
Como o Plant Armor protege as plantas sem impedir a passagem de luz?
O material utiliza uma malha de poliéster com estrutura tridimensional: duas camadas externas são ligadas por filamentos internos, criando um caminho difícil para insetos atravessarem. Ao contrário de uma película fechada, essa construção mantém espaços para a circulação de ar e água.
A tecnologia surgiu de pesquisas destinadas a tornar roupas militares mais confortáveis e resistentes a picadas de mosquitos. Depois, a equipe adaptou o conceito para cobrir cultivos, como relata a Universidade Estadual da Carolina do Norte.

O que os testes revelaram sobre a colheita de morangos?
Em parcelas experimentais, a equipe comparou plantas protegidas pela segunda geração do tecido com plantas descobertas. A colheita foi acompanhada durante sete semanas e revelou diferenças importantes:
- O número estimado de frutos foi 3,56 vezes maior.
- O peso médio de cada morango aumentou 1,84 vez.
- Os primeiros frutos colhíveis apareceram cerca de uma semana antes.
- Folhas, caules e raízes não apresentaram ganho significativo de biomassa.
O que diferencia essa cobertura de uma proteção convencional?
O diferencial está na combinação de barreira física e alteração do microclima. A cobertura manteve as plantas aproximadamente 1,93 °C mais quentes, sem mudança significativa na umidade relativa.
O tecido eliminou a presença de pragas no cultivo?
Não completamente. Em laboratório, nenhum pulgão atravessou o Plant Armor durante o teste de 180 minutos. Entretanto, pulgões foram observados tanto nas parcelas cobertas quanto nas descobertas durante o ensaio agrícola. Eles podem ter entrado pelas bordas, antes da cobertura ou durante sua abertura para medições.

O artigo científico publicado em setembro de 2026 na revista Agriculture apresenta a proteção como possibilidade de reduzir a dependência de inseticidas, não como garantia de cultivo sem pragas.
O que ainda precisa ser testado antes do uso em grandes lavouras?
Os pesquisadores consideram o resultado uma demonstração inicial, realizada em pequenas parcelas. A aplicação comercial depende de verificar o desempenho em outros climas, variedades e sistemas de produção:
- Repetir os testes em fazendas e diferentes regiões.
- Avaliar custos, durabilidade e manejo da cobertura.
- Medir possíveis economias reais de água e defensivos.
- Verificar a produtividade durante safras e temperaturas variadas.
O ganho de produtividade depende também das condições de cultivo
O Plant Armor reúne proteção mecânica e aquecimento moderado, fatores que podem favorecer morangueiros em determinadas condições. Contudo, o resultado de 3,56 vezes refere-se à contagem de frutos nos testes, não a uma garantia de triplicar o peso total da colheita em qualquer propriedade.
A pesquisa mostra como um material concebido para outra finalidade pode ganhar uma aplicação agrícola. Antes de recomendar sua adoção generalizada, ainda será necessário avaliar custos, pragas, clima e resultados de lavouras comerciais ao longo de várias safras.
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