“Desmoralização de Moraes escancara Judiciário fora dos trilhos”, diz Marinho
Líder da oposição reagiu à decisão da Justiça italiana sobre Tagliaferro e cobra restauração da normalidade democrática
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou na terça-feira, 27, que a decisão da Justiça italiana de negar a extradição de Eduardo Tagliaferro expõe “desmoralização” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e “escancara um Judiciário fora dos trilhos”.
O senador também cobrou a restauração urgente da “normalidade democrática” no Brasil. Ele se manifestou por meio de publicação no X.
“A Justiça da Itália enxerga o que o Brasil já vive: um ministro que investiga, decide e ainda é parte interessada. A desmoralização de Alexandre de Moraes escancara um Judiciário fora dos trilhos. É preciso urgentemente resgatarmos a normalidade democrática!“, escreveu.
A extradição de Tagliaferro, que é ex-assessor de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi negada pela Corte de Apelação de Catanzaro, na Itália.
Segundo o portal Metrópoles, o Brasil solicitou a extradição com base no mandado de prisão expedido em 31 de julho de 2025 por Moraes. Tagliaferro é acusado de divulgar comunicações sigilosas com o objetivo de desestabilizar as instituições republicanas.
Segundo a acusação, entre 15 de maio de 2023 e 15 de agosto de 2024, o ex-assessor teria se valido indevidamente das informações às quais teve acesso como chefe de gabinete do órgão especial de combate à desinformação do TSE para selecionar e repassar à imprensa diálogos e dados sigilosos trocados entre funcionários do tribunal eleitoral e do STF.
“As informações que Tagliaferro teria divulgado dizem respeito precisamente à atuação do ministro de Moraes e de seus colaboradores no Tribunal Superior Eleitoral, onde Tagliaferro era assessor do próprio ministro de Moraes. A conduta imputada teria consistido na divulgação à imprensa de comunicações sigilosas internas ao órgão e teria sido destinada, segundo a acusação, a veicular insinuações sobre a ilicitude da atuação daqueles órgãos, para atingir a credibilidade das unidades representadas pelo ministro de Moraes, na consecução dos objetivos de uma organização criminosa que atuava para desestabilizar as instituições democráticas.
Mesmo sem qualificar formalmente o ministro de Moraes como pessoa ofendida, é indiscutível seu envolvimento pessoal como sujeito diretamente atingido pelas revelações e, ao menos, prejudicado, nos planos reputacional e institucional, pelos fatos atribuídos ao extraditando”, diz a decisão da Justiça italiana.
O tribunal também apontou falta de imparcialidade por parte de Moraes ao destacar que o ministro teria atuado em diferentes etapas do caso.
“A mesma autoridade que figura como sujeito atingido pelas revelações e parte prejudicada pelo crime dirigiu a investigação, avaliou seus resultados, adotou as medidas restritivas, promoveu sua execução e é chamada a participar do desenvolvimento do procedimento destinado a apurar a responsabilidade do acusado”, afirma a decisão.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)