O Ártico terminou o verão com gelo mais jovem e fino, enquanto o máximo de inverno empatou com o menor já registrado
Dados de 2026 revelam um máximo de inverno historicamente baixo e destacam a perda do gelo multianual, apesar do verão menos extremo.
O gelo marinho do Ártico encerrou o verão de 2026 com predomínio de placas mais jovens e finas, embora a extensão mínima não tenha sido recorde. Em 15 de março, o máximo do inverno alcançou 14,29 milhões de quilômetros quadrados, estatisticamente empatado com 2025 no menor nível da série de observações por satélite.
Por que a idade do gelo muda sua resistência ao verão?
O gelo de primeiro ano se forma durante o período frio e ainda não atravessou uma estação completa de derretimento. Já o gelo multianual sobrevive a pelo menos um verão e, em geral, torna-se mais espesso e resistente.
Quando o gelo antigo desaparece, parte dele é substituída por placas recentes. Mesmo que o mar volte a congelar no inverno, essa renovação não recompõe imediatamente a espessura perdida. Por isso, observar apenas a extensão pode esconder uma mudança importante.

Quais números revelam a transformação do gelo ártico?
O Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo (NSIDC) acompanha mudanças na cobertura e na idade do gelo. Os resultados de 2026 mostram contrastes:
- O máximo de março foi de 14,29 milhões de km².
- Em 2025, o máximo havia sido de 14,31 milhões de km².
- O mínimo em 12 de setembro chegou a 4,60 milhões de km².
- Desde 2012, gelo com mais de quatro anos não supera 250 mil km² no mínimo de verão.
O que diferencia extensão, espessura e idade do gelo?
Os três indicadores descrevem aspectos distintos da cobertura congelada. Uma mesma extensão pode esconder volumes e condições de resistência muito diferentes.
Por que o mínimo de verão não bateu recorde em 2026?
O mínimo de setembro foi o décimo menor da série, empatado com 2008, 2010 e 2025. A extensão não caiu ao recorde histórico porque o verão teve condições relativamente frias, nubladas e tempestuosas sobre o oceano Ártico.

Segundo a análise de outubro do NSIDC, essas condições retardaram o derretimento em parte da estação. Ainda assim, o gelo de primeiro ano predominante em regiões como Beaufort e Chukchi acabou derretendo. Um verão menos extremo não reverte a tendência de longo prazo.
Como os satélites identificam um Ártico mais vulnerável?
Diferentes instrumentos ajudam a distinguir quanto oceano permanece congelado e que tipo de gelo resiste. As medições se complementam:
- Radiômetros de micro-ondas acompanham a cobertura mesmo sob nuvens.
- Séries históricas comparam os limites do gelo entre estações.
- O rastreamento do deslocamento estima a idade das placas.
- O satélite ICESat-2, da NASA, ajuda a estimar a espessura.
A perda do gelo antigo aumenta a fragilidade do Ártico
No fim do verão, a extensão de gelo multianual passou de cerca de 3,5 milhões de km² nos anos 1980 para uma faixa de 1,3 a 1,9 milhão desde 2007. O gelo mais antigo, com mais de quatro anos, também se tornou raro.
O estado do Ártico não cabe em um único recorde de área. A combinação de cobertura menor no inverno e placas mais jovens e finas no verão indica menor capacidade de resistir às próximas temporadas de degelo.
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