Mulher joga fora roteador antigo que estava guardado há quase 10 anos e descobre que o aparelho considerado lixo pode esconder ouro em seus componentes internos
Depois de uma limpeza no armário, uma descoberta sobre materiais eletrônicos muda a forma de enxergar objetos quebrados e seu descarte.
Patrícia abriu espaço no armário e descartou um roteador parado havia quase dez anos. Depois soube que o ouro em roteadores pode aparecer em revestimentos minúsculos de contatos e em outras partes da placa. O aparelho sem uso talvez tivesse materiais recuperáveis, embora não fossem visíveis a olho nu.
Onde um roteador antigo pode esconder ouro?
Em determinados roteadores, pequenas quantidades de ouro aparecem em revestimentos de conectores e contatos elétricos, além de elementos de suas placas. Não se trata de peças maciças: muitas superfícies recebem apenas uma camada extremamente fina do metal.
Esses componentes ficam junto dos circuitos responsáveis pela comunicação e pela alimentação elétrica. A composição varia conforme fabricante, modelo e geração do equipamento; portanto, não é possível afirmar que todo roteador descartado contenha a mesma quantidade de ouro.

Quanto ouro existe nas placas desses aparelhos?
Um estudo publicado em 2018 analisou placas retiradas de dez roteadores, modems e aparelhos semelhantes. Nas amostras, a concentração foi de 199 miligramas de ouro por quilo de placa, muito menos que um grama.
Esse dado não permite calcular o valor do aparelho jogado por Patrícia: faltam peso da placa, composição e rendimento de recuperação. A pesquisa também encontrou prata e cobre, com proporções diferentes, mostrando que o reaproveitamento não se restringe ao ouro.
Os materiais encontrados apresentaram concentrações distintas:
Por que usar ouro em conexões elétricas tão pequenas?
O ouro oferece boa condução elétrica e elevada resistência à corrosão, combinação útil em pontos que precisam manter contato confiável ao longo do tempo. Por isso, pode recobrir partes específicas sem formar uma peça inteira do metal precioso.
Essa aplicação explica por que a superfície de um conector pode conter ouro sem parecer uma joia. Também exige cuidado: nem toda peça amarelada é dourada com ouro, e observar a placa não basta para identificar sua composição.
O que a mineração urbana faz com um roteador descartado?
A mineração urbana recupera matérias-primas de produtos que perderam a utilidade original. Nos eletrônicos, a separação industrial permite aproveitar metais e encaminhar outros componentes ao tratamento adequado, em vez de misturar tudo ao lixo doméstico.
Um roteador isolado oferece poucas quantidades de metais preciosos; reunir muitos aparelhos melhora a viabilidade do tratamento especializado. A coleta também permite direcionar plásticos, placas e resíduos que exigem cuidados diferentes durante o processamento.
O reaproveitamento dos equipamentos envolve etapas próprias:
Vale tentar retirar o ouro de um roteador em casa?
Queimar placas, aquecer contatos ou usar produtos químicos para extrair metais pode liberar substâncias perigosas e gerar resíduos contaminantes. A recuperação segura depende de técnicas, equipamentos e controles que não fazem parte de uma atividade doméstica comum.
O ouro costuma aparecer em quantidades tão pequenas que a retirada de um único roteador dificilmente compensaria o custo e os riscos. Para Patrícia, a descoberta está no potencial do descarte correto, não em uma fortuna escondida no armário.
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Onde levar um roteador antigo para reciclagem?
Roteadores sem uso podem ser entregues em pontos de logística reversa de eletroeletrônicos. No Brasil, o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de Resíduos Sólidos orienta o consumidor a procurar pontos de coleta de redes como Abree e Green Eletron.
Se o equipamento ainda funcionar, é prudente restaurar as configurações para apagar informações pessoais antes da entrega. Não é necessário desmontar o roteador para procurar ouro: o encaminhamento completo permite a triagem e o tratamento por profissionais especializados.
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