Uma pedra de mais de 27 quilos saiu do mar com um sulco perfeito e pode ser uma âncora usada há milhares de anos
Pedra de mais de 30 quilos encontrada junto a uma pedreira pré-histórica pode revelar como antigas embarcações eram ancoradas.
Uma pedra de mais de 30 quilos retirada do mar perto de Hespriholmen, no oeste da Noruega, pode ser uma âncora da Idade da Pedra. O objeto apresenta um sulco que o contorna por inteiro e foi encontrado abaixo de uma antiga pedreira. Seu formato sugere amarração por corda, mas a interpretação ainda precisa de comprovação científica.
Onde a pedra foi encontrada e como saiu do mar?
A equipe avistou a pedra em 2025, a cerca de 20 metros de profundidade, sobre um monte de rejeitos da pedreira da ilha. O objeto foi retirado durante uma nova expedição em 2026, conforme relatou a reportagem com os arqueólogos envolvidos.
Pesquisadores prenderam uma corda ao sulco e içaram a pedra. Arild Skjæveland Vivås, do Museu Marítimo de Stavanger, destacou o equilíbrio do objeto durante a retirada. Esse comportamento ajudou a sustentar a hipótese de uso como âncora.

Que características reforçam a hipótese de uma âncora?
Os especialistas consideram a forma, o peso e o contexto da descoberta. Nenhum desses elementos, isoladamente, comprova a função original do objeto:
- Mais de 30 quilos tornam improvável seu emprego como peso de rede.
- Um sulco contínuo circunda a pedra e comporta uma corda.
- O objeto estava entre resíduos de uma exploração antiga.
- A costa apresenta correntes fortes e ondas intensas.
Como os vestígios sustentam a interpretação dos arqueólogos?
Uma peça pesada junto a uma pedreira pode ser vista como resíduo ou equipamento. A leitura arqueológica depende da combinação de indícios, não apenas do formato.
A pedra já pode ser considerada a âncora mais antiga do mundo?
Ainda não. Pesquisadores associam a peça à pedreira de Hespriholmen, utilizada entre cerca de 9 mil e 5 mil anos atrás para retirar rocha verde destinada à fabricação de machados. Mas a idade da pedreira não equivale à datação da pedra.
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Leif Inge Åstveit, do Museu Universitário de Bergen, defende a interpretação como âncora. Outros especialistas consideram a hipótese plausível, mas ela ainda precisa de publicação e revisão científica. Uma pesquisa sobre a exploração de Hespriholmen documenta a longa história da pedreira, não a idade desse objeto.
Por que embarcações precisariam de âncoras naquele local?
Hespriholmen fica cerca de cinco quilômetros ao largo da costa. O mar agitado tornava as visitas difíceis, mas sua rocha atraía trabalhadores da Idade da Pedra.
- Extrair blocos de rocha verde para fabricar machados.
- Transportar materiais pesados até embarcações próximas à ilha.
- Levar ferramentas e suprimentos entre a costa e a pedreira.
- Manter barcos posicionados enquanto se movimentavam cargas.
O sulco oferece uma pista, não uma confirmação definitiva
O peso, a marca contínua e a posição submersa tornam a hipótese de uma âncora relevante para a história da navegação no norte europeu. Ainda assim, a função e a cronologia permanecem em estudo.
Se confirmada como peça da Idade da Pedra, a descoberta poderá ampliar o conhecimento sobre como navegadores antigos estabilizavam embarcações para transportar rochas. Até lá, sua importância está nos indícios preservados junto à pedreira e nas perguntas que eles permitem investigar.
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