A pressa da PF para pedir a apreensão do passaporte de Flávio
A representação da PF foi assinada digitalmente às 21h16 de domingo, 25, e assinada por Moraes sem consulta prévia à PGR
A Polícia Federal (PF) pediu a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro apenas sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a derrota do candidato à Presidência do PL no segundo turno.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, atendeu à solicitação ainda na noite de domingo, 25, sem nem ao menos consultar a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo O Globo, a representação da PF tem 16 páginas e foi assinada digitalmente às 21h16 de domingo.
A vitória de Lula foi matematicamente confirmada pela Justiça Eleitoral às 21h09.
O pedido se baseia no fato de Flávio ser listado como “usuário master” de uma conta da Alcazar Holding, a empresa mantida pelo advogado Willer Tomaz na Ilha da Madeira, em Portugal.
Além disso, a PF teria argumentado que o advogado, que “dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje”, está em Miami, nos Estados Unidos, desde 25 de agosto, sem previsão de retorno.
A PF também demonstrou preocupação com a declaração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro na qual ele defendeu a saída do irmão do Brasil, caso ele perdesse a eleição.
Flávio é intimado pela PF
Flávio afirmou na segunda-feira, 26, ter sido intimado pela PF a entregar seus passaportes e impedido de deixar o país.
Segundo o parlamentar, a intimação ocorreu na rua, após ele sair do condomínio onde mora, no Lago Sul, em Brasília, a caminho da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
“Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele tá em prisão domiciliar. E, quando eu tava saindo, a Polícia Federal do Lula tava na porta da casa dele e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também tô proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo [Bolsonaro], de 23 de outubro, de que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Nunca falei isso. É motivo disso?”, disse, em vídeo divulgado nas redes sociais.
“Se eu ganhasse a eleição, teria esse mesmo tratamento?”, questionou o senador.
Flávio disse ainda que não pretende deixar o Brasil e que entregará os passaportes.
O senador é investigado em dois inquéritos na Corte. Em um deles, é suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. Flávio também é alvo de outro inquérito que investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair.
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