Um buraco negro lançou energia por 300 mil anos-luz e as novas medições indicam ventos cerca de 100 vezes mais poderosos do que se pensava
Observações do quasar H1821+643 identificaram gás agitado fora da galáxia e indicam energia muito superior às estimativas anteriores.
O quasar H1821+643, a cerca de 3,4 bilhões de anos-luz da Terra, está associado a uma perturbação que alcança regiões a aproximadamente 300 mil anos-luz de seu centro. Medições do satélite XRISM indicam energia nos movimentos do gás cerca de 100 vezes maior que estimativas anteriores, revelando uma influência que vai muito além da galáxia hospedeira.
Como um buraco negro consegue transmitir energia para tão longe?
Buracos negros não liberam matéria de dentro do horizonte de eventos. O fenômeno começa no gás que gira ao redor deles: parte cai em direção ao centro e parte pode ser acelerada para fora por processos ligados à alimentação do buraco negro.
Em H1821+643, os cientistas investigam como esses ventos poderiam provocar ondas de choque e agitar o gás extremamente quente de um aglomerado de galáxias. A missão XRISM permitiu medir esses movimentos com maior precisão.

O que as observações do XRISM encontraram?
O instrumento Resolve analisou linhas de emissão de ferro nos raios X, cujas larguras revelam os movimentos do gás. As medições mostraram:
- Linhas de ferro mais largas que em aglomerados comparáveis.
- Dispersão de velocidades próxima de 300 quilômetros por segundo.
- Gás agitado em regiões muito além da galáxia central.
- Energia estimada equivalente à de bilhões de supernovas.
O que significam os 300 mil anos-luz e o fator de 100?
Os números descrevem grandezas diferentes: a extensão da região afetada, a energia calculada e a velocidade do gás. Não significam que um jato tenha sido filmado atravessando toda essa distância.
Como os astrônomos identificaram essa turbulência?
Quando íons de ferro emitem raios X, o formato de suas linhas espectrais fornece pistas sobre a movimentação do gás. O XRISM encontrou sinais excepcionalmente alargados no aglomerado de H1821+643, indicando movimentos intensos em uma região extensa.
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Existe uma ressalva: essas linhas não identificam sozinhas a origem da agitação. A explicação por ventos e ondas de choque do quasar é plausível, mas parte da energia atribuída a ele depende desse cenário, como explica o estudo publicado na Nature Astronomy.
Por que essa energia pode influenciar outras galáxias?
O comunicado da Universidade de Tohoku ressalta que a atividade do quasar pode afetar o espaço além de sua galáxia. Isso tem implicações para a evolução cósmica:
- Pode aquecer ou redistribuir o gás entre galáxias.
- Pode modificar as condições para formação de estrelas.
- Transporta energia para além da galáxia hospedeira.
- Ajuda a testar simulações da evolução de aglomerados.
A atividade de um quasar pode transformar regiões muito além de sua galáxia
Embora pequeno diante da escala do aglomerado, o buraco negro central pode influenciar regiões imensas pela energia liberada durante a acreção. O efeito é indireto: não envolve matéria escapando do interior do buraco negro.
Os resultados de H1821+643 ampliam o alcance atribuído a esse processo, mas ainda não determinam quanto da agitação foi causado exclusivamente pelo quasar. Novas observações deverão separar melhor turbulência, fluxos e outros movimentos do gás.
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