A NASA encontrou evidências de uma caverna que avança mais de 60 metros abaixo da Lua e pode ajudar a proteger futuros astronautas
A cavidade pode oferecer uma proteção natural contra condições extremas da superfície lunar
Uma abertura escura interrompe a superfície rochosa do Mar da Tranquilidade, em uma região da Lua marcada por antigas atividades vulcânicas. Pesquisadores que analisaram dados da NASA encontraram evidências de uma caverna na Lua com uma passagem que se estende por mais de 60 metros a partir da base da abertura. O achado, publicado em julho de 2024, fortalece a possibilidade de encontrar abrigos naturais capazes de proteger futuros astronautas contra parte dos riscos da superfície lunar.
Onde fica a caverna identificada pelos pesquisadores?
A possível caverna está no Mar da Tranquilidade, uma extensa planície vulcânica da Lua. A passagem começa na base de uma abertura já conhecida, observada anteriormente em imagens orbitais.
Segundo a NASA, em comunicado de julho de 2024, o local fica aproximadamente 370 km a nordeste do ponto de pouso da Apollo 11.
O Mar da Tranquilidade contém grandes áreas de rochas formadas por antigas erupções vulcânicas. Por isso, os pesquisadores investigam se algumas cavidades representam partes preservadas de canais por onde a lava passou.
A abertura observada na superfície pode funcionar como entrada para um espaço subterrâneo maior. Entretanto, a passagem ainda não foi explorada diretamente por astronautas ou veículos robóticos.

Como a NASA encontrou uma passagem escondida no subsolo lunar?
Os cientistas reanalisaram dados de radar obtidos pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter. Os sinais foram coletados em 2010 pelo instrumento Mini-RF, desenvolvido para estudar características da superfície lunar.
O radar transmite ondas de rádio e registra os sinais que retornam depois de interagir com o terreno. A intensidade e a direção dos reflexos ajudam a identificar estruturas que não são visíveis diretamente nas imagens convencionais.
Na abertura do Mar da Tranquilidade, a equipe identificou um comportamento compatível com uma passagem subterrânea que se prolonga além da parte iluminada da cavidade.
O estudo, publicado na revista Nature Astronomy, reuniu especialistas em radar e geologia planetária. O registro científico da Universidade de Pádua confirma a pesquisa e sua publicação em 2024.
Os 60 metros indicam a profundidade ou o comprimento da caverna?
Os mais de 60 metros representam o avanço lateral da passagem a partir da base da abertura. Essa medida não deve ser interpretada como a profundidade vertical total da cavidade.
A abertura liga a superfície ao interior do terreno. A partir de sua base, os sinais de radar indicaram que existe espaço subterrâneo se prolongando horizontalmente.
Os pesquisadores ainda não determinaram onde esse corredor termina. Também não existe uma medição completa de sua largura ou de todas as possíveis conexões.
O achado pode ser compreendido em três partes:
Como antigos rios de lava poderiam ter formado essa caverna?
A passagem pode ser parte de um tubo de lava criado durante a atividade vulcânica antiga da Lua. Essas estruturas surgem quando a superfície de um fluxo de lava esfria e endurece, enquanto o material ainda quente continua se deslocando por baixo.
Quando o fluxo diminui e a lava escoa, um espaço vazio pode permanecer dentro da rocha. Se parte do teto desaba, forma-se uma abertura que permite observar o interior do tubo.
Estruturas vulcânicas subterrâneas também são encontradas na Terra. Uma caverna que conserva camadas de gelo em uma região desértica mostra como ambientes subterrâneos podem apresentar condições muito diferentes das registradas na superfície.
No caso lunar, a formação por lava é uma interpretação geológica apoiada nas características da região. A origem exata da cavidade deverá ser estudada com observações adicionais.
Por que uma caverna pode proteger futuros astronautas?
Uma cavidade coberta por rocha pode reduzir a exposição à radiação, aos micrometeoritos e às temperaturas extremas. A superfície lunar não possui uma atmosfera densa como a terrestre para oferecer proteção semelhante.
Em pesquisas anteriores, cientistas financiados pela NASA estudaram as condições térmicas de aberturas lunares. O estudo divulgado pela agência em 2022 estimou temperaturas próximas de 17 °C em áreas permanentemente sombreadas de uma abertura.
Esse valor foi obtido por observações e modelagem térmica. Não significa que toda caverna lunar possua a mesma temperatura ou que seu interior seja automaticamente habitável.
Para funcionar como abrigo, o local ainda precisaria de acesso seguro, estabilidade estrutural e instalações capazes de fornecer ar, energia e proteção aos equipamentos.
O que falta para os pesquisadores conhecerem toda a extensão da passagem?
A principal etapa pendente é mapear diretamente a cavidade e verificar suas condições físicas. Os dados disponíveis identificam uma estrutura compatível com um corredor subterrâneo, mas não revelam sua extensão completa.
Uma futura missão robótica poderia investigar a abertura e registrar imagens do interior. Instrumentos adicionais ajudariam a medir o terreno, identificar possíveis obstáculos e avaliar a estabilidade do teto.
As observações também poderiam mostrar se a passagem se conecta a outros espaços vazios sob a planície lunar.
Até que uma missão examine o local diretamente, a descoberta permanece como uma evidência forte de uma caverna acessível a partir de uma abertura conhecida, com potencial científico e interesse para o planejamento de futuras explorações humanas.
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