Com 12,4 km sobre o mar, ponte de R$ 11,6 bilhões terá fundações a 64 metros de profundidade e um vão de 682 metros para a passagem de navios
A obra reúne profundidade, extensão e um vão pensado para manter a navegação ativa
Estacas de aço começam a formar uma estrutura de apoio no meio da Baía de Todos-os-Santos, onde será construída uma das maiores pontes da América Latina. A Ponte Salvador-Itaparica terá 12,4 km sobre o mar, investimento estimado em R$ 11,6 bilhões e fundações executadas em águas de até 64 metros de profundidade. Em 22 de outubro de 2026, o Governo da Bahia confirmou a cravação de 21 estacas que darão suporte aos trabalhos do vão central.
Onde será construída a Ponte Salvador-Itaparica?
A Ponte Salvador-Itaparica ligará Salvador ao município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica. A travessia será construída sobre a Baía de Todos-os-Santos, criando uma ligação rodoviária direta entre a capital e o outro lado da baía.
Segundo o comunicado oficial do Governo da Bahia de 22 de outubro de 2026, a ponte integra o Sistema Viário Oeste, que também contempla intervenções nas estradas de acesso.
Do lado de Salvador, serão necessárias conexões com a malha viária existente. Na ilha, o empreendimento prevê uma via expressa e melhorias na BA-001 para distribuir o tráfego que chegará pela nova travessia.

Como serão construídas as fundações em águas de 64 metros?
As fundações serão executadas com equipamentos de cravação capazes de trabalhar em grandes profundidades. As estacas atravessam a água e alcançam as camadas do terreno submarino previstas no projeto estrutural.
Esses elementos transferem as cargas dos pilares para o solo. A escolha das dimensões e dos equipamentos depende das características geológicas encontradas em cada ponto da baía.
Para apoiar essa operação, o projeto contará com o navio chinês Tie Jian Da Qiao Zhuang 1, preparado para movimentar componentes pesados e instalar estacas em águas profundas.
O Governo da Bahia detalhou as capacidades da embarcação ao anunciar sua viagem da China para o Brasil.
O navio possui características específicas para executar os trabalhos:
Por que o vão central da ponte terá 682 metros?
O vão central de 682 metros foi projetado para manter a passagem de grandes embarcações. A Baía de Todos-os-Santos possui tráfego marítimo, e a nova travessia precisa preservar as rotas de navegação.
O projeto concentra nesse trecho uma das etapas mais complexas da construção. A disposição dos apoios precisa conciliar a sustentação da estrutura com o espaço necessário para os navios.
O desafio de manter o transporte marítimo também aparece em obras de ligação entre territórios separados pelo mar, como o túnel imerso que está sendo instalado no fundo do mar Báltico. Nesse projeto europeu, a travessia passa abaixo da navegação, enquanto a ponte baiana ficará sobre a água.
Qual parte da Ponte Salvador-Itaparica já está em construção?
Os trabalhos confirmados em outubro de 2026 concentram-se na preparação de estruturas de apoio e na organização dos canteiros. As estacas já cravadas servirão à instalação de uma central de concreto próxima ao futuro vão central.
A operação utiliza a Balsa Jaguaribe, equipada com guindastes e equipamentos para posicionar e cravar os elementos. As equipes também soldaram vigas transversais para conectar as estruturas instaladas.
Em Vera Cruz, está em implantação uma plataforma provisória para apoiar atividades sobre o mar. O canteiro de Jequitaia, em Salvador, passa por mobilização, enquanto São Roque do Paraguaçu recebe operações de preparação e armazenamento de materiais.
Essas atividades representam uma etapa concreta da construção, mas ainda não significam que os pilares definitivos ou o vão central estejam concluídos.
Como funciona o investimento bilionário da obra?
A Ponte Salvador-Itaparica será executada por meio de uma parceria público-privada. O investimento estimado envolve a construção da travessia e as intervenções integrantes do sistema viário.
O Governo da Bahia também informou a autorização de recursos federais para o empreendimento. A participação pública e privada precisa acompanhar a execução das diferentes etapas previstas.
O valor anunciado representa o investimento estimado no projeto. Não corresponde ao montante já aplicado nas estruturas instaladas no mar.
O que ainda falta para concluir a travessia Salvador-Itaparica?
A obra ainda precisa executar as fundações profundas, erguer os apoios definitivos e montar a estrutura da ponte. Também será necessário completar os acessos viários nas duas extremidades da travessia.
A chegada do equipamento chinês ampliará a capacidade de trabalhar nas partes mais profundas da baía. Depois dessas operações, o avanço dependerá da execução dos pilares, da superestrutura e das ligações com as rodovias.
A etapa confirmada em outubro mostra a preparação do ponto onde ficará o vão para os navios. A abertura ao tráfego dependerá da conclusão e da verificação técnica de todo o conjunto.
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