TSE manda retirar vídeo de suspeitos de tráfico com camisetas de Lula
Ministra atendeu a pedido da coligação petista; policiais são acusados de obrigar os detidos a vestir as peças
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a remoção de publicações que mostram suspeitos de tráfico de drogas usando camisetas da campanha de Lula (PT) em Piracicaba (SP).
Policiais militares são acusados de obrigar os detidos a vestir as peças antes de levá-los à delegacia.
A ministra Estela Aranha atendeu a um pedido da coligação petista e deu prazo de três horas para a retirada do conteúdo.
“Ao conteúdo utiliza episódio policial específico para apresentar como fato a existência de relação entre o Partido dos Trabalhadores e a criminalidade, além de atribuir aos detidos preferência eleitoral que não se encontra demonstrada”, escreveu a ministra na decisão.
As publicações foram feitas pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP), pelo também senador eleito Carlos Jordy (PL), por Cabo Müller e pelo canal Tropa do Flávio, ligado à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Denúncias
O episódio ocorreu na quarta-feira, 21, em Vitória Pantanal.
Dois adultos foram presos e um adolescente foi apreendido.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a ocorrência resultou na apreensão de um revólver, 160 porções de cocaína e R$ 340.
Familiares, moradores e militantes petistas afirmam que os suspeitos não usavam as camisetas quando foram abordados.
A mãe do adolescente, de 17 anos, disse que os policiais recolheram as peças em uma casa de mulheres que trabalhavam na campanha petista e obrigaram os jovens a vesti-las.
PMs são investigados
A Polícia Civil registrou suspeitas de ameaça, constrangimento ilegal e dois crimes de abuso de autoridade. A Corregedoria da Polícia Militar abriu procedimento para investigar a atuação dos agentes.
A apuração deverá esclarecer as circunstâncias da abordagem e as denúncias de que as camisetas foram colocadas nos detidos pelos policiais.
A PM afirmou que a ocorrência começou após uma denúncia ao telefone 190, segundo a qual os suspeitos vendiam drogas e usavam camisetas alusivas à campanha de Lula.
Um áudio divulgado pelo vereador Renan Paes (PL) foi atribuído à ligação, mas a polícia não confirmou sua autenticidade.
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