Com 44 pontes, 63 viadutos e sete túneis duplos, uma rodovia de 44 km foi projetada para fechar a rota de caminhões ao redor da maior cidade do Brasil
O projeto foi pensado para tirar veículos pesados das áreas mais carregadas da cidade
Entre a Serra da Cantareira e a capital paulista, 13 frentes de obra ainda trabalham em túneis e pistas que vão fechar o último arco do anel viário de São Paulo. O Rodoanel Norte tem 44 km e, no projeto completo, reúne 44 pontes, 63 viadutos e sete túneis com galerias separadas para cada sentido. Quando o segundo trecho abrir, caminhões poderão contornar a cidade inteira sem passar pelas marginais.
Por onde passa o Rodoanel Norte?
O traçado corta São Paulo, Guarulhos e Arujá e liga a Rodovia Presidente Dutra à Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, passando pela Fernão Dias. No extremo oeste, ele se conecta ao Trecho Oeste do Rodoanel, na região da Rodovia dos Bandeirantes.
Segundo a Agência SP, do governo paulista, a parte já aberta também se integra ao Trecho Leste perto da Rodovia Ayrton Senna, em Guarulhos. Com isso, o anel ganha ligação entre rodovias federais e estaduais sem entrar nas vias urbanas da capital.

Por que a estrada precisa de tantas estruturas?
O relevo da zona norte alterna morros, vales e a mata da Cantareira, uma das reservas ambientais da Grande São Paulo. Um relatório da Fipe para a Dersa, publicado pela Assembleia Legislativa, lista 107 obras de arte especiais, nome técnico para pontes e viadutos, ao longo dos 44 km.
Os túneis reduzem cortes na superfície da serra. O projeto se divide assim:
Qual parte já recebe motoristas?
O primeiro trecho, com 24 km entre a Dutra e a Fernão Dias, foi entregue em dezembro de 2025. No primeiro mês, recebeu média de 15 mil veículos por dia, e cerca de 35% deles eram caminhões, segundo dados da concessionária divulgados pelo governo.
- Pistas duplas com três faixas por sentido.
- Dois túneis sob a Cantareira que somam cerca de 2 km.
- Cobrança pelo sistema Siga Fácil, com pórticos que leem placas e tags, sem cancela.
- Passagens subterrâneas de fauna para reduzir atropelamentos de animais.

O que ainda falta para fechar o anel?
Falta o segmento de cerca de 20 km entre a Fernão Dias e a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães. Em fevereiro de 2026, a Agência SP informou a conclusão da escavação da pista externa do Túnel 101, e a obra passou para revestimento, pavimentação e sistemas de segurança.
Em outubro, a Gazeta de S.Paulo relatou, com base na concessionária Via SP Serra, que as obras chegaram a 73%. A situação de cada parte:
Quanto custa a obra e quem paga?
O investimento total é de cerca de R$ 3,4 bilhões. O governo paulista entra com R$ 1,35 bilhão e a concessionária com R$ 2 bilhões, de acordo com o próprio Estado.
A obra começou em 2013 sob a antiga Dersa, ficou seis anos parada e foi retomada em abril de 2024. Antes da paralisação, auditorias do TCU haviam apontado indícios de irregularidades nos contratos de construção, o que motivou a revisão feita pela Fipe.
A entrega final ficou para os últimos meses de 2026
A concessionária mantém a previsão de concluir o segundo segmento no segundo semestre de 2026, mas não divulgou uma data. Com o ano entrando em novembro, resta pouco prazo para cumprir o cronograma anunciado.
Quando a ligação for aberta, cargas vindas da Dutra e da Fernão Dias poderão seguir até a Bandeirantes e o Porto de Santos pelo anel, sem cruzar as marginais Tietê e Pinheiros. O efeito real no trânsito da capital vai depender de quantos transportadores trocarem a rota urbana pela rodovia com pedágio.
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