Nikolas e Janones viram peças-chave na campanha digital de Flávio e Lula
Cobrado pelos Bolsonaros no início do primeiro turno, o deputado mineiro foi um dos principais cabos eleitorais; Janones mudou forma de Lula de se comunicar
A disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou, no segundo turno, um reforço de dois personagens controversos. De um lado, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), campeão de votos em Minas Gerais; André Janones (Rede-MG), que convenceu Lula a sair do modo analógico e passou a organizar uma estrutura de apoio a Lula a partir do canal de WhatsApp “Exército do Lula”.
Os dois parlamentares ocupam posições diferentes dentro de suas campanhas, mas cumpriram uma função semelhante: transformar audiência pessoal em mobilização política.
Se no início do primeiro turno, Nikolas foi cobrado por uma suposta apatia; no segundo turno, ele foi peça determinante na campanha do senador filho de Jair Bolsonaro.
O deputado passou a utilizar vídeos curtos, publicações de forte apelo emocional, ataques ao PT e conteúdos destinados a reforçar a identificação do eleitor com o candidato do PL. Também intensificou a presença em regiões consideradas estratégicas para Flávio, especialmente no Nordeste.
Os números de Nikolas e Janones
Um dos exemplos foi um minidocumentário produzido por Nikolas sobre a região, que, segundo a Gazeta do Povo, alcançou 153 milhões de visualizações em menos de 24 horas. A estratégia procurou levar ao eleitor nordestino uma mensagem diferente da comunicação tradicional do bolsonarismo, com Nikolas assumindo o papel de interlocutor direto.
Janones adotou uma estratégia semelhante, mas com características próprias.
O deputado criou o canal “Exército do Lula”, que cresceu rapidamente depois do primeiro turno. Segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira, 23, o canal chegou a 10 milhões de seguidores no WhatsApp.
O crescimento foi acompanhado pela criação de uma linguagem própria. Janones passou a tratar os integrantes como um exército digital, estabelecendo missões, metas e orientações para a divulgação de conteúdos favoráveis a Lula. Ele utilizou, inclusive, linguagem agressiva e foi criticado por integrantes da Academia. Mesmo assim, professores universitários passaram a seguir as orientações de Janones sem qualquer senso crítico.
Na quinta-feira, 22, Janones e Lula fizeram uma live para integrantes do grupo. A transmissão foi apresentada pelo presidente como a “live do Marechal e do General”, incorporando à comunicação oficial a linguagem criada pelo canal.
A transmissão teve grande audiência e chegou a registrar cerca de 1,5 milhão de aparelhos diferentes conectados simultaneamente. Um recorde para o petista.
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