Flávio “fugiu” de desafio e Dallagnol “mentiu” sobre sigilos, diz Camilo Santana
Coordenador da campanha de Lula diz que petista entregou documentos ao TSE e que adversário apresentou apenas procurações
O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha do presidente Lula (PT) à reeleição, acusou nesta sexta-feira, 23, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, de ter “fugido” do desafio para a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos candidatos.
Em entrevista coletiva, o petista também disse que o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), escalado pela campanha de Flávio para acompanhar o caso, “mentiu” sobre os documentos apresentados pelo presidente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Esse impasse, para nós, é um impasse perante a Justiça, mas, para nós, ele fugiu do desafio do presidente Lula”, afirmou Camilo.
O desafio foi lançado por Lula durante o debate da Band, no domingo, 18. Após Flávio apresentar uma série de condições para aderir à proposta, as duas campanhas assinaram na quinta-feira, 22, um acordo em que autorizavam a abertura total e simultânea dos sigilos dos candidatos.
Segundo Camilo, a campanha petista protocolou ainda na quinta informações que estavam sob controle do governo, como dados referentes ao cartão corporativo da Presidência, agendas e voos da FAB, além de autorizações para obtenção de informações bancárias, fiscais e telefônicas de Lula e de pessoas incluídas no acordo.
O senador afirmou que a equipe de Flávio, por sua vez, apresentou apenas autorizações e procurações e criticou o fato de o documento entregue pelo adversário prever a divulgação de dados obtidos “a partir de decisão judicial do Tribunal Superior Eleitoral”.
A divergência ocorre depois de o ministro André Mendonça decidir que não cabe ao TSE escolher ou divulgar as informações que os candidatos desejam tornar públicas. Segundo o magistrado, eles podem fazê-lo voluntariamente.
Camilo afirmou que a campanha de Lula pediu a reconsideração da decisão e que, caso Mendonça mantenha o entendimento, pretende levar a questão ao plenário do TSE.
“Se ele não reconsiderar, nós vamos entrar com um pedido para que o pleno decida esse impasse”, disse.
Em relação a Dallagnol, na quinta-feira, o senador eleito disse que esperava encontrar documento para análise e acusou a campanha petista de não ter cumprido o prometido.
“Isso é mentira”, respondeu Camilo. “Quem não apresentou absolutamente nada foram eles”, pontuou.
As duas campanhas divergem sobre o que deveria ser entregue diretamente ao TSE e o que dependeria da requisição a bancos, operadoras e outros órgãos.
As autorizações apresentadas pelos candidatos, por si sós, não significam que os respectivos extratos bancários, registros fiscais e dados telefônicos já tenham se tornado públicos. Até a manhã desta sexta, essas informações ainda não haviam sido divulgadas integralmente.
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