Homem transforma terreno vazio no interior da Coreia do Sul na casa dos sonhos, da fundação ao fim
Lei sul-coreana deixa o próprio dono erguer casas de até 200 m², mas exige estrutura capaz de resistir a neve, vento e terremotos
65,8% das moradias da Coreia do Sul são apartamentos, segundo o resultado do Censo de População e Moradia 2025, divulgado pelo governo sul-coreano em julho de 2026. Num país onde a maioria mora em torres de concreto armado, chama a atenção o vídeo de um homem que escolheu a autoconstrução no interior. Ele transforma um terreno vazio na casa dos sonhos, da fundação ao acabamento, e o registro levanta uma dúvida prática: o que a lei do país permite a quem constrói a própria moradia?
Vídeo acompanha a obra de uma casa no interior sul-coreano
O vídeo foi publicado no YouTube pelo canal Life Rhythm TV, que dá crédito ao criador identificado como 황금망치앤토드. O título promete a obra completa, do início ao fim, numa área rural da Coreia do Sul. É o tipo de conteúdo que transforma a autoconstrução em espetáculo e faz muita gente sonhar com uma casa própria longe da cidade.
Esse sonho anda na contramão do mercado sul-coreano. As moradias unifamiliares isoladas somavam 3,83 milhões de unidades em novembro de 2025, queda de 0,3% em um ano, enquanto os apartamentos cresceram 2,4% e chegaram a 13,29 milhões. O total de moradias do país bateu 20,18 milhões, e 1,72 milhão delas estavam sem morador, segundo o mesmo censo.
Lei sul-coreana libera autoconstrução de casas de até 200 m²
A autoconstrução é permitida na Coreia do Sul para imóveis residenciais com área total de até 200 metros quadrados. A regra está no artigo 41 da Lei-Quadro da Indústria da Construção, que obriga a contratação de construtora registrada acima desse limite. Prédios multifamiliares e casas divididas em várias unidades exigem construtora mesmo quando são menores.

A papelada também fica mais simples no campo. Pelo artigo 14 da Lei de Edificações, uma construção com menos de 200 m² e menos de três andares, em área rural, florestal ou de conservação ambiental, depende só de um aviso prévio às autoridades. A administração tem cinco dias para responder, ou 20 dias se houver consulta a outros órgãos.
Esse aviso perde a validade se a obra não começar em um ano, prorrogável por mais um ano com justificativa. Fora dessas zonas ou acima desses limites, vale a licença comum, concedida pela prefeitura ou pelo governo do condado. Quem gosta de casas fora do padrão pode ver também como outro país enquadrou uma construção incomum.
Por que a fundação passa por exame de segurança estrutural?
A fundação passa por exame porque a lei sul-coreana exige que toda edificação resista ao peso próprio, à carga de uso, à neve, ao vento e a terremotos. É o que determina o artigo 48 da Lei de Edificações. O mesmo artigo manda examinar a segurança estrutural das obras novas licenciadas e verificar a resistência a abalos sísmicos.
Os padrões de carga e os métodos de cálculo são definidos por decreto do Ministério de Terras, Infraestrutura e Transportes. Na prática, a autoconstrução não dispensa projeto: concreto armado, madeira ou aço só ficam de pé com cálculo adequado ao solo e ao clima do lugar. É na fundação que o peso da casa chega ao terreno, e um erro ali compromete todo o resto.

O que avaliar antes de encarar a autoconstrução de uma casa?
O primeiro passo é conferir o zoneamento do terreno e a área que se pretende construir. Na Coreia do Sul, esses dois dados definem se a obra precisa de licença, de simples aviso prévio ou de construtora registrada. Um imóvel rural com menos de 200 m² e menos de três andares segue o caminho mais curto, mas continua sujeito às regras de segurança estrutural.
O cuidado mais importante vale em qualquer país: fundação, estrutura e instalações elétricas, hidráulicas e de gás não são etapas para improviso. Antes de cavar o primeiro buraco, procure um engenheiro ou arquiteto habilitado, peça o projeto estrutural e confira as exigências com a prefeitura. Se você sonha em erguer a própria casa, comece por essa conversa: ela evita retrabalho, gastos dobrados e riscos para quem vai morar ali.
A Coreia do Sul também aparece no noticiário diplomático recente. Uma crise com a Ucrânia envolvendo prisioneiros norte-coreanos movimentou Seul nas últimas semanas.
Crusoé: Prisioneiros abrem crise entre Coreia do Sul e Ucrânia➔
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