Mesmo que nenhum plástico novo chegue ao mar depois de 2050, o material antigo pode continuar virando microplástico por décadas
Mesmo zerando novas entradas, o microplástico ainda representaria 58% de todo o plástico acumulado em 2050

O que você vai ver
- Que tipo de modelo os pesquisadores construíram e quem participou.
- O que acontece se o mundo zerar as novas entradas de plástico até 2050.
- Por que apenas reduzir a fonte não resolve o problema do microplástico.
- Como diferentes estratégias de limpeza mudam o resultado final.
- Quanto custaria cada abordagem de limpeza em escala global.
Um modelo computacional mostrou que, mesmo que o mundo conseguisse interromper completamente a entrada de plástico novo nos oceanos até 2050, o material já acumulado continuaria se fragmentando em microplásticos por muitas décadas seguintes, problema que reduzir a fonte sozinha não resolve.
Que modelo foi construído e por quem?
Pesquisadores liderados por Takuro Uehara, da Universidade Ritsumeikan, no Japão, em colaboração com Mateo Cordier, da Université de Versailles-Saint-Quentin-en-Yvelines, e Laurent Lebreton, da organização The Ocean Cleanup, construíram um modelo de dinâmica de sistemas capaz de simular o transporte, a degradação e a remoção de macroplásticos, além de sua fragmentação em microplásticos, nas zonas costeira, litorânea e offshore do oceano.

O que acontece se as entradas forem zeradas até 2050?
Segundo o modelo, zerar completamente as novas entradas de plástico até 2050 reduziria em 51,4% o total de plástico acumulado no oceano entre 1950 e 2050, em comparação com um cenário de continuidade das tendências atuais, redução expressiva, mas que não elimina por completo o problema do material já presente na água.
Por que reduzir a fonte não basta sozinho?
Mesmo no cenário mais otimista de corte total de novas entradas, o modelo projeta que microplásticos representariam 58,4% de todo o plástico acumulado no oceano em 2050, já que interromper a chegada de material novo não remove o lixo que já está na água, e esse material segue se fragmentando naturalmente com o tempo, processo que a simples redução na fonte não tem como reverter.
Como diferentes estratégias de limpeza mudam o resultado?
Combinando redução de entradas com diferentes ritmos de limpeza, o modelo projeta cerca de 10.168 mil toneladas de plástico remanescente em 2050 com limpeza tardia, caindo para 8.824 mil toneladas com limpeza constante e para 7.312 mil toneladas com limpeza acelerada entre 2026 e 2050, já que intervir cedo evita que itens maiores cheguem a se fragmentar em microplásticos, partículas que as tecnologias atuais de limpeza têm muito mais dificuldade de recuperar depois de formadas.

Quanto custaria cada abordagem?
Uma estratégia de limpeza completa, mas tardia, custaria em média cerca de €1 bilhão por ano, enquanto uma limpeza acelerada entre 2026 e 2050 poderia chegar a até €3,4 bilhões por ano, já que operações realizadas em águas mais distantes da costa são mais caras, e o custo por unidade de plástico recolhido sobe à medida que a concentração de material na água vai diminuindo ao longo do tempo.
Modelos que mostram como decisões tomadas hoje continuam gerando consequências por décadas também aparecem no relato sobre os fragmentos de coral que pareciam sujeira comum até o laboratório revelar plástico derretido dentro dos poros.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do Phys.org.
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