O buraco de ozônio de 2025 ficou entre os menores em décadas e reforçou um raro caso de recuperação ambiental global
O número de estações de monitoramento ativas caiu de 130 para cerca de 110 nas últimas duas décadas

O que você vai ver
- Como a Organização Meteorológica Mundial classificou o buraco de ozônio de 2025.
- Por que as variações meteorológicas anuais também pesam nesse resultado.
- O que aconteceu com a camada de ozônio no Hemisfério Norte em 2025.
- Qual tratado internacional explica a recuperação de longo prazo.
- Por que o monitoramento da camada de ozônio enfrenta desafios mesmo com a recuperação.
O buraco na camada de ozônio sobre a Antártida em 2025 ficou entre os menores registrados em décadas, resultado que reforça um dos raros casos de recuperação ambiental bem-sucedida em escala global, mesmo levando em conta a influência normal das condições meteorológicas de cada ano.
Como a OMM classificou o buraco de 2025?
A Organização Meteorológica Mundial classificou o buraco de ozônio antártico de 2025 como o quarto ou quinto menor desde 1992, ano em que começaram a ser observados padrões graves de depleção da camada, marcando o segundo ano consecutivo em que tanto a profundidade quanto a extensão do buraco ficaram abaixo da média histórica registrada entre 1990 e 2010.

Por que variações meteorológicas também pesam nesse resultado?
O tamanho do buraco de ozônio varia de ano para ano conforme as condições de transporte atmosférico em larga escala sobre a Antártida, fator que se soma, mas não substitui, à tendência de recuperação de longo prazo da camada, já que essa depleção primaveril ocorre quase todo inverno austral no Hemisfério Sul e, no Hemisfério Norte, a cada cinco a dez anos.
O que aconteceu no Hemisfério Norte?
Em 2025, a coluna total de ozônio ficou abaixo da média numa ampla faixa que vai da Groenlândia e da Europa até a Ásia Central, o norte do Japão e a península russa de Kamchatka, sinal de que a variabilidade natural da camada de ozônio no Hemisfério Norte também segue um padrão próprio, distinto do ciclo mais regular observado todos os anos sobre a Antártida.
Qual tratado explica a recuperação de longo prazo?
A tendência de recuperação da camada de ozônio é atribuída ao Protocolo de Montreal, acordo internacional que eliminou progressivamente o uso de substâncias destruidoras da camada, como os CFCs. Segundo Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, a camada vem se recuperando desde o ano 2000, com expectativa de recuperação completa em várias décadas, embora emissões inesperadas de CFC-11 até 2018 e de HFC-23 já tenham sido registradas, mostrando que o cumprimento do acordo ainda exige vigilância constante.

Por que o monitoramento enfrenta desafios mesmo com a recuperação?
O número de estações de observação ativas caiu de cerca de 130, no início dos anos 2000, para cerca de 110 atualmente, redução que preocupa cientistas justamente no momento em que a radiação ultravioleta já aumentou até 20% em partes da Europa desde meados da década de 1990, atribuída principalmente à redução da cobertura de nuvens, não apenas à própria camada de ozônio.
Fenômenos ambientais que mostram recuperação real mas ainda exigem vigilância contínua também aparecem no relato sobre a calota de gelo da Groenlândia que perdeu água suficiente para cobrir toda a área com oito metros de profundidade.
Mais detalhes sobre o boletim estão disponíveis na reportagem original do Phys.org.
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