Uma capa de gelo da Groenlândia perdeu água suficiente para cobrir toda a área com uma lâmina de cerca de oito metros
Colaboradores locais assumiram a coleta de dados em campo durante os dois anos em que a pandemia impediu viagens internacionais

O que você vai ver
- Onde fica a calota de gelo estudada e por quantos anos foi medida.
- Como os pesquisadores mediram a perda de gelo diretamente no campo.
- Onde a perda de gelo foi mais intensa e por quê.
- Por que calotas pequenas pesam mais na perda total de gelo do que parece.
- Como pesquisadores locais ajudaram a manter as medições durante a pandemia.
Treze anos de medições feitas diretamente no gelo mostraram que uma calota no noroeste da Groenlândia perdeu massa suficiente para cobrir toda a sua área com uma lâmina de água de cerca de oito metros de profundidade, caso esse volume fosse derretido e espalhado uniformemente.
Onde fica a calota e por quanto tempo foi medida?
O estudo analisou a Qaanaaq Ice Cap, no noroeste da Groenlândia, com registros contínuos coletados em campo a cada verão entre 2012 e 2025, período de 13 anos que permitiu à equipe, liderada por Shin Sugiyama, do Institute of Low Temperature Science da Universidade de Hokkaido, acompanhar a evolução da perda de gelo ano a ano, não apenas num retrato isolado.
I’ve just been sent this by some colleagues that are currently in Greenland. Oldham are now represented in the far north (on top of Qaanaaq ice cap), as well as the far south. Cheers @GeomorphMark #oafc https://t.co/ejBaR2vNMD
— Chris Stringer (@stringer_oafc) August 30, 2022
Como a perda foi medida diretamente no campo?
Os pesquisadores instalaram hastes de alumínio perfuradas no gelo em seis locais, entre 200 e 1.000 metros acima do nível do mar, cuja parte exposta indica quanto a superfície baixou ao longo do tempo, além de dispositivos GPS presos às hastes para medir a velocidade de deslocamento do próprio gelo e 280 pontos de medição de elevação da superfície, complementados por registros de temperatura do ar e condições da neve.
Onde a perda foi mais intensa?
A perda de gelo foi maior nas altitudes mais baixas da calota, onde o derretimento ocorreu de forma mais rápida, e acelerou especialmente nos últimos anos do período estudado, com verões mais quentes funcionando como o principal fator por trás dessa aceleração. Cerca de metade do aumento da perda nessas áreas mais baixas também esteve ligada à redução do fluxo de gelo vindo das regiões mais altas da própria calota.
Por que calotas pequenas pesam tanto na perda total?
Geleiras e calotas de gelo separadas representam apenas cerca de 4% de toda a área coberta por gelo na Groenlândia, mas foram responsáveis por cerca de 14% da perda total de gelo do território entre 2018 e 2021, desproporção que mostra como essas estruturas menores, por reagirem mais rápido às mudanças de temperatura, acabam contribuindo de forma desproporcional ao degelo total do país.
Inspired by this paper, I created an animation of the #Qaanaaq #Ice #Cap (Northwest #Greenland) for the last summer using #Sentinel2 data. 🦠🛰️❄️🏔️ https://t.co/mwAtDthkUa
— Biagio Di Mauro (@DiMauro_b) November 29, 2019
Como pesquisadores locais ajudaram durante a pandemia?
Em 2020 e 2021, quando a pandemia de Covid-19 interrompeu viagens internacionais e impediu a equipe japonesa de viajar até o local, colaboradores groenlandeses locais assumiram a coleta de dados em campo, garantindo que a série histórica de medições não tivesse uma lacuna justamente nos anos em que a aceleração da perda de gelo mais se intensificou.
Medições feitas diretamente no campo que confirmam o que imagens de satélite sozinhas não captam por completo também aparecem no relato sobre o cristal molecular que dobra em vez de quebrar graças a estruturas internas em forma de tesoura.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do Phys.org.
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