Petista aciona PGR por R$ 4 mi pagos a escritório de Flávio antes de votação
Representação cita montante pago ao escritório do senador antes de votação que reconduziu Edvaldo Nilo a Conselho do MP
O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) protocolou na quarta-feira, 21, na Procuradoria-Geral da República (PGR), uma notícia de fato pedindo investigação criminal contra o candidato do PL a presidente, senador Flávio Bolsonaro (RJ), e o advogado Edvaldo Nilo de Almeida por suspeitas de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O advogado é membro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
O motivo da representação é a revelação de que o escritório de Flávio recebeu 4 milhões de reais da banca de Edvaldo Nilo, em duas parcelas de 2 milhões, nos meses que antecederam a votação do Senado que aprovou sua recondução ao Conselho.
O petista ressalta que Flávio participou da decisão sem declarar impedimento. A notícia de fato pede a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, o rastreamento da origem e do destino dos recursos e a apuração de eventual relação entre os pagamentos milionários e o exercício do mandato.
Falcão pontua que os pagamentos foram documentados em notas fiscais emitidas em agosto e outubro de 2025, ambas com a descrição genérica de “assessoria jurídica”, sem identificação dos clientes ou das causas que justificariam os valores.
A segunda transferência foi realizada em 21 de outubro, 22 dias antes da votação no Senado. O petista aponta que a banca de Edvaldo Nilo, especializada em precatórios, teve receita de 143 milhões de reais em 2025, proveniente quase totalmente de órgãos públicos e hospitais beneficentes.
Edvaldo afirmou que os pagamentos decorreram de serviços prestados a clientes privados, mas não identificou os beneficiários.
A notícia de fato questiona se os 4 milhões de reais remuneraram serviços efetivamente realizados ou se contratos e notas fiscais podem ter sido usados para dissimular vantagens indevidas relacionadas à recondução ao CNMP. Além disso, registra que Edvaldo foi nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, para a Comissão de Ética Pública da Presidência da República em 2022.
Rui Falcão pede à PGR relatórios de inteligência financeira do Coaf, a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, a apresentação dos contratos e documentos comprobatórios dos serviços e o rastreamento das operações realizadas nas contas do BRB e do Santander.
Além disso, que seja analisada a possível conexão com a investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo movimentações financeiras relacionadas a Flávio Bolsonaro e ao advogado Willer Tomaz.
O petista também quer a verificação de eventual atuação do senador em causas de interesse de entes públicos, hipótese que pode configurar violação constitucional sujeita à perda do mandato.
“A questão central é esclarecer a natureza desses 4 milhões de reais, a efetiva prestação dos serviços e se houve alguma contrapartida relacionada ao voto parlamentar. Quando um senador recebe valores milionários de alguém cuja permanência em um órgão de controle depende de aprovação do Senado, os fatos exigem investigação rigorosa”, diz Falcão.
“A PGR precisa apurar a origem do dinheiro, a finalidade dos pagamentos e a eventual prática de crimes, sem deixar nenhuma dessas circunstâncias sem resposta”, acrescenta.
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