Lulistas tentam transformar Meta nas urnas eletrônicas desta eleição
Apoiadores de Lula usam as 'big techs' como muleta para justificar as dificuldades da campanha do presidente à reeleição
A eleição presidencial de 2022 acabou com milhares de pessoas acampadas em frente a quartéis, indignadas com a vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro, numa mobilização que desembocou no vandalismo do 8 de janeiro de 2023 na Praça dos Três Poderes.
Boa parte do incômodo dos eleitores de Bolsonaro foi alimentada pelo próprio presidente, que disseminou dúvidas sobre o processo eleitoral ao longo de todo aquele ano, simbolizadas por ele mesmo nas urnas eletrônicas — e alimentadas também pelo protagonismo do ministro Alexandre de Moraes no comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na eleição deste ano, são os lulistas que alimentam desconfianças, desde de uma interferência externa dos Estados Unidos até a manipulação de redes sociais, especialmente da Meta.
TSE
Os apoiadores de Lula alegam que foram prejudicados em diversos níveis ao atuar no Facebook, no Instagram e no WhatsApp, todos da Meta, além do X. A campanha do petista acionou o TSE na quarta-feira, 21, pedindo a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro (PL) sob a alegação de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.
A campanha protocolou outras representações no TSE, que levaram o ministro Marco Aurélio Bellizze a determinar isonomia no tratamento das candidaturas, proibir redução artificial de alcance e exigir critérios idênticos na Inteligência Artificial para as campanhas, sob pena de multas diárias.
Movimentos sociais alinhados ao lulismo, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), fizeram um protesto na sede da Meta em São Paulo (foto) na segunda-feira, 19, com um trocadilho: “Meta, não se meta!”.
Os petistas chegaram a implicar com os filtros da Meta AI para tentar impedir a confecção de cards de campanha, um cuidado que a empresa — ao contrário de suas concorrentes — tomou na esperança de não ser acusada de favorecimento, e que acabou saindo pela culatra.
Meta
A empresa chegou a admitir falhas técnicas e incidentes inesperados ao longo da campanha, mas negou favorecimento deliberado ou interferência.
O Oversight Board da Meta, comitê de supervisão da empresa, apontou falta de transparência e “falhas recorrentes” na moderação eleitoral no Brasil, mas tudo isso apenas revela as dificuldades impostas pela tentativa do TSE de controlar o discurso ao longo da campanha eleitoral.
O fato é que o bolsonarismo floresceu exatamente nas redes sociais, por se ver limitado de atuar em outros ambientes, como as universidades e mesmo a grande imprensa.
Muleta
É de se esperar que seus representantes tenham maior alcance virtual, pois eles o cultivam há muito mais tempo. E, aparentemente, os bolsonaristas conseguiram isso nesta eleição, apesar da tentativa do TSE de diminuir o protagonismo das redes no pleito, com novas limitações aos candidatos.
O que sobrará de toda a desconfiança plantada pelos lulistas em relação às redes sociais nesta eleição é um discurso de consolo em caso de derrota, e a esperança de que alguma decisão judicial possa reverter o resultado, assim como os bolsonaristas tentaram fazer em 2022.
Restará também um desafio para as próximas eleições: conseguir mobilizar seus apoiadores para além de um canal de WhatsApp administrado por um deputado que se vangloria por mentir.
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