Com R$ 6,8 bilhões, seis faixas e ciclovia, um túnel debaixo do mar vai ligar duas cidades do litoral paulista e mudar o acesso à BR-101
Contrato prevê 1,5 km de extensão, 870 metros submersos, travessia de até cinco minutos e obras no canal a partir de 2027
R$ 6,8 bilhões é o investimento estimado para tirar do papel o Túnel Santos-Guarujá, a ligação por baixo d’água entre as duas cidades mais conhecidas da Baixada Santista. O Governo de São Paulo assinou em 28 de janeiro de 2026 o contrato da parceria público-privada com o grupo português Mota-Engil. A promessa é trocar um trajeto rodoviário de até uma hora por uma travessia de cerca de cinco minutos.
Túnel imerso de 1,5 km vai cruzar o canal do porto de Santos
O Túnel Santos-Guarujá terá 1,5 quilômetro de extensão, e 870 metros ficarão submersos no canal portuário. A técnica de túnel imerso usa módulos de concreto pré-moldados, assentados no leito do canal, como descreve a Agência SP, do governo paulista.
A ligação vai unir os bairros de Outeirinhos e Macuco, em Santos, ao distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá. Hoje, quem cruza o estuário depende das balsas, com cerca de 18 minutos de travessia e filas, ou de um caminho de 40 quilômetros pela estrada.
Como funcionam as seis faixas, o VLT e a ciclovia do túnel?
O Túnel Santos-Guarujá terá seis faixas de rolamento, três em cada sentido, e uma delas em cada direção fica reservada ao VLT, o Veículo Leve sobre Trilhos. O projeto inclui ainda a ciclovia, com passagem para pedestres e ciclistas, e uma galeria de serviços.
Para quem pedala, a mudança é concreta: hoje, bicicletas e pedestres também dependem das balsas para atravessar. Segundo o governo paulista, ciclistas e pedestres não pagarão pedágio para usar a ciclovia e a passagem do túnel.
O governo estadual estima que cerca de 2 milhões de moradores da região serão beneficiados diretamente, além dos turistas. A previsão oficial também fala em cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos durante a construção.

O que muda no acesso de Santos à BR-101 pelo Guarujá?
A estrutura não desemboca diretamente na BR-101, mas encurta o caminho de quem sai de Santos rumo ao litoral norte. Do lado do Guarujá, a saída fica em Vicente de Carvalho, região cortada pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni (SP-055).
É pela Rangoni que o motorista chega à Rio-Santos. O roteiro oficial da Secretaria de Turismo e Viagens de São Paulo indica seguir pela SP-055 até a saída do km 248 e, dali, pela BR-101 rumo a Bertioga.
Com a travessia sob o canal, a espera na balsa sai da conta de quem parte de Santos para esse trajeto. O Lado OA já mostrou outros detalhes do projeto que vai levar o túnel ao fundo do estuário.
Quando a obra começa e qual é o cronograma até 2030?
As obras do Túnel Santos-Guarujá estão previstas para começar em 2027. Em 2026, a fase é de projetos funcional e executivo, licenciamento ambiental e desapropriações, segundo o cronograma divulgado pelo Governo de São Paulo na assinatura do contrato.

O calendário oficial divide a construção em etapas anuais, da doca seca aos testes de operação. A tabela abaixo resume cada fase prevista pelo governo paulista.
| Ano | O que está previsto |
|---|---|
| 2026 | Projetos funcional e executivo, licenciamento ambiental e desapropriações |
| 2027 | Doca seca, dragagem preliminar, canteiros e obras viárias em Santos e no Guarujá |
| 2028 | Fabricação dos seis elementos do túnel e dragagem da vala |
| 2029 | Imersão e montagem dos elementos |
| 2030 | Acabamento, instalação de sistemas, testes operacionais e comissionamento |
A etapa mais delicada fica para 2029, quando os seis elementos do túnel imerso serão afundados e encaixados no leito do canal. A licença ambiental prévia já foi emitida pela Cetesb, e as obras viárias complementares nas duas cidades terão fiscalização da Artesp.
Quanto vai custar a travessia e quem paga a conta da obra?
A tarifa de referência é de R$ 6,15 por sentido para veículos, valor semelhante ao da balsa, segundo o resultado oficial do leilão da PPP. Dos R$ 6,8 bilhões, até R$ 5,1 bilhões são recursos públicos, divididos igualmente entre o Estado e a União. O restante cabe à concessionária, que vai construir e operar o túnel por 30 anos.
Como o projeto ainda está na fase de preparação, tarifa, prazos e acessos podem ser ajustados até a inauguração. Antes de planejar mudança, compra de imóvel ou rotina de trabalho contando com o túnel, confira os comunicados do governo paulista e da Artesp. E se você vive pegando a balsa na Baixada Santista, acompanhe com a gente cada etapa dessa obra.
Enquanto o túnel avança no litoral paulista, outra megaobra sobre o mar já mudou de fase no Nordeste.
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