CNBB orienta eleitores a avaliar compromisso de candidatos com a democracia
Em nota, conselho de bispos lista demandas sociais e defende respeito ao resultado das urnas; entidade se envolveu em polêmica com Flávio Bolsonaro
O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na quarta-feira, 21, uma nota dirigida aos eleitores do segundo turno. O texto sugere que o voto leve em conta o histórico de quem disputa o cargo, e não apenas as propostas apresentadas na campanha.
Segundo os bispos, os eleitores devem considerar “a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia”. A mensagem termina com um pedido a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, para que “interceda (…) e ajude-nos a vencer a indiferença”.
O que diz a nota
Logo no início, o documento enumera necessidades que, na avaliação do conselho, o país precisa atender. De acordo com a nota, o “Brasil, como país soberano, necessita de trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança”.
O texto também trata das instituições. “Reafirmamos a importância da defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados legítimos das urnas, expressão da liberdade de escolher os que governam. Encorajamos a participação consciente de todos neste segundo turno das eleições”, afirmam os bispos.
Polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida
Durante a campanha, a CNBB foi citada em uma controvérsia Nossa Senhora Aparecida, poucos dias antes do primeiro turno.
O senador Flávio Bolsonaro, adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que haveria “gente dentro” da entidade espalhando a informação falsa de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira.
Em ato de campanha em Goiânia, o senador disse que “o PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news e conseguiu, com a ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente. O que aconteceu ali foi, quase que automaticamente, uma disseminação dessa fake news. Só que rapidamente se reverteu, porque a verdade está do nosso lado”.
Horas depois, a conferência publicou nota sem mencionar o nome do senador: “A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”.
A entidade acrescentou que repudia a produção e o uso de informações falsas, “independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar”.
Falas de bispos antes da nota
Antes mesmo do episódio, manifestações de bispos já circulavam nas redes sociais, com temas que iam da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) à defesa da soberania nacional.
Em 7 de setembro, na missa celebrada em Aparecida, o arcebispo emérito Dom Orlando Brandes pediu que os eleitores escolhessem candidatos pensando no bem comum. Em seguida, tratou do tema da independência: “Vamos defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, deve mandar aqui”.
No dia 6 de setembro, Dom Adair Guimarães, da Diocese de Formosa (GO), pediu a intercessão da santa pelo ministro do STF André Mendonça. O bispo citou a existência de “presos políticos” e disse que “a nossa pátria não possui uma democracia plena”.
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