Um fóssil de 309 milhões de anos ganhou nome em homenagem a duas mães: estudantes encontraram uma nova espécie anterior aos dinossauros perto de Chicago
Estudantes do Museu Field identificam anfíbio primitivo de 309 milhões de anos e homenageiam suas mães ao nomear a nova espécie
Um fóssil de 309 milhões de anos revelou uma nova espécie de anfíbio primitivo que viveu muito antes dos dinossauros. A descoberta foi feita por duas estudantes do Museu Field, em Chicago, que perceberam diferenças anatômicas em um exemplar antigo e o batizaram de Jeanerpeton mazonensis, homenageando suas mães.
Como Jeanerpeton mazonensis foi descoberto em um fóssil antigo?
Durante o período Carbonífero, a região onde hoje fica Chicago apresentava um ambiente quente, com pântanos, rios e vegetação abundante. Nesse cenário viviam diversos animais primitivos, incluindo parentes antigos dos anfíbios modernos. Muitos de seus restos ficaram preservados nos depósitos fossilíferos de Mazon Creek, em Illinois.
O exemplar que levou à descoberta foi encontrado em 1965 pelo colecionador Ken Kietzke e posteriormente incorporado ao acervo do Museu Field. Inicialmente, recebeu a classificação de Amphibamus grandiceps, espécie já conhecida naquela região. Entretanto, uma nova análise revelou características incompatíveis com essa identificação, demonstrando que o material representava outro animal.
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Quais características diferenciam Jeanerpeton mazonensis de outras espécies?
As estudantes Allison Sefcovic e Payton Kohlberg perceberam diferenças importantes no crânio e na coluna vertebral. O novo animal apresentava uma região anterior da cabeça mais estreita e 22 vértebras antes da região sacral, enquanto Amphibamus grandiceps possuía 20. Essas características ajudaram a justificar sua classificação em um gênero próprio.
A preservação excepcional também permitiu identificar estruturas raramente encontradas em fósseis tão antigos. O material apresenta impressões dos olhos, pequenas escamas dorsais e ossos delicados da região abdominal. Cinco características merecem destaque:
- O animal viveu há aproximadamente 309 milhões de anos;
- Seu crânio apresentava proporções diferentes das de Amphibamus;
- A coluna possuía 22 vértebras pré-sacrais;
- Escamas e estruturas abdominais ficaram preservadas;
- Impressões dos olhos revelaram detalhes anatômicos incomuns.

Como Mazon Creek preservou detalhes tão delicados por milhões de anos?
Durante o Carbonífero, a região funcionava como um grande delta fluvial. Sedimentos transportados pelas águas cobriam rapidamente organismos mortos, reduzindo sua exposição à decomposição e à destruição. Em determinadas condições químicas, minerais formavam concreções ao redor dos restos, preservando estruturas que normalmente desapareceriam.
Esse processo explica por que Mazon Creek apresenta fósseis com contornos corporais, estruturas delicadas e impressões de tecidos. A preservação não significa que os órgãos permaneceram intactos, mas que suas formas foram registradas nos sedimentos. Essas informações permitem comparar animais extintos com uma precisão incomum para depósitos tão antigos.
Quais evidências científicas confirmaram a nova espécie?
A descrição foi publicada em 24 de setembro de 2026 no Journal of Vertebrate Paleontology. O estudo científico original foi assinado por Allison J. Sefcovic, Payton J. Kohlberg, Calvin So e Arjan Mann, integrantes de uma equipe de pesquisa do Museu Field especializada em vertebrados primitivos.
Os pesquisadores reexaminaram o exemplar FMNH PR 558, concentrando a análise no crânio e no esqueleto axial. A comparação com outros anfibamiformes revelou uma combinação anatômica distinta, suficiente para estabelecer um novo gênero e espécie. A descoberta também demonstrou que fósseis anteriormente agrupados sob uma mesma classificação podem esconder uma diversidade maior.
O que torna Jeanerpeton mazonensis diferente dos anfíbios modernos?
O animal apresentava características que lembram salamandras, mas possuía corpo relativamente robusto e proporções diferentes das observadas nos representantes atuais. Ele pertence aos anfibamiformes, grupo de pequenos tetrápodes relacionado a importantes discussões sobre a origem evolutiva dos anfíbios modernos.
Embora apresente características semelhantes às encontradas em sapos e salamandras, isso não significa que tenha sido ancestral direto dessas espécies. Sua posição evolutiva ajuda a investigar quando determinadas estruturas anatômicas surgiram e como se diversificaram entre os primeiros vertebrados terrestres.
| Característica | Jeanerpeton mazonensis |
|---|---|
| Idade aproximada | 309 milhões de anos |
| Período geológico | Carbonífero |
| Localidade | Mazon Creek, Illinois |
| Vértebras pré-sacrais | 22 |
| Grupo | Anfibamiformes |
Por que a descoberta de duas estudantes pode mudar o estudo dos anfíbios?
Allison Sefcovic e Payton Kohlberg participaram do programa Women in Science, iniciativa do Museu Field voltada à formação científica. O trabalho aconteceu no laboratório de Arjan Mann, com colaboração do pesquisador Calvin So. Ao reconhecerem diferenças negligenciadas anteriormente, demonstraram como coleções antigas continuam oferecendo oportunidades para novas descobertas.
O nome escolhido também tornou a pesquisa especial. As mães das duas estudantes se chamam Jean, inspiração para Jeanerpeton, expressão que pode ser traduzida como “rastejador de Jean”. Já mazonensis homenageia Mazon Creek. A descoberta amplia o conhecimento sobre os primeiros anfíbios e reforça a importância de reexaminar fósseis preservados em museus, onde outras espécies desconhecidas ainda podem permanecer classificadas incorretamente.
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Comentários (1)
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