Um material quase impossível de quebrar levou uma pesquisadora da Sibéria a aceleradores de partículas para entender por que uma pedra verde é tão resistente
O ranking de qualidade feito por artesãos maori coincidiu quase perfeitamente com os testes de laboratório

O que você vai ver
- O que é o pounamu e por que ele é considerado tão difícil de quebrar.
- Quem é a pesquisadora por trás do estudo e por que o tema despertou seu interesse.
- Como um acelerador de partículas ajudou a enxergar a microestrutura da pedra.
- Como artesãos maori já sabiam identificar a resistência antes da ciência confirmar.
- Para que esse conhecimento pode servir fora do artesanato tradicional.
Uma pesquisadora recorreu a um acelerador de partículas para entender por que o pounamu, pedra verde sagrada para o povo maori, resiste tão bem à fratura, mesmo sendo feito de um mineral que, isoladamente, não é considerado especialmente forte.
O que é o pounamu e por que ele resiste tanto?
Pounamu é o nome maori da nefrita, um dos dois tipos de jade, também conhecida como greenstone, e é considerada um dos materiais naturais mais tenazes já estudados, qualidade que intrigava cientistas justamente porque o mineral anfibólio que a compõe não é, por si só, particularmente resistente à fratura quando comparado a outros minerais.
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Quem conduziu o estudo e por que se interessou pelo tema?
A pesquisa foi conduzida por Natalia Seliutina, doutoranda em geologia que cresceu na Sibéria, na Rússia, e cuja avó pertencia ao povo indígena udmurte, dos Montes Urais do Sul, origem que a aproximou do interesse por materiais tradicionais ligados a culturas indígenas ao redor do mundo. O estudo foi publicado em 2026 na revista New Zealand Journal of Geology and Geophysics.
Como o acelerador revelou a microestrutura da pedra?
Em 2024, Seliutina usou um acelerador de partículas no National Synchrotron Radiation Research Center, em Taiwan, no primeiro estudo de microestrutura da nefrita baseado em luz síncrotron, técnica que revelou grãos minúsculos, em forma de agulha, várias vezes mais finos que um fio de cabelo, organizados como fibras minerais entrelaçadas que funcionam como um sistema de reforço, de forma parecida com a estrutura de certas cerâmicas avançadas.
Como artesãos maori já reconheciam essa resistência?
A pergunta que motivou o estudo partiu originalmente de artesãos maori, não de cientistas: num workshop, eles classificaram diferentes peças de pounamu por qualidade para entalhe, e o ranking produzido por essa avaliação prática coincidiu quase perfeitamente com os testes de resistência à fratura feitos depois em laboratório, mostrando que o conhecimento tradicional já captava, de forma empírica, exatamente a mesma propriedade física que a ciência levou anos para explicar com precisão.
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Para que esse conhecimento pode servir?
Além de ajudar artesãos a estimar a quantidade de impurezas internas de uma peça por meio de ondas sonoras, reduzindo desperdício no entalhe, a pesquisadora acredita que entender esse mecanismo de reforço por fibras entrelaçadas pode inspirar o desenvolvimento de novos materiais resistentes à corrosão e à fratura, potencialmente úteis até mesmo em ambientes extremos como o espaço, embora essa aplicação específica ainda seja uma possibilidade futura, não uma tecnologia já demonstrada.
Conhecimento tradicional que antecipa descobertas científicas por gerações também aparece no relato sobre o sistema de dessalinização solar que deixa o sal para trás em forma sólida.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do Phys.org.
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