Uma garrafa de plástico pode virar ingrediente de um biscoito em laboratório porque leveduras foram programadas para reconstruir o carbono do resíduo
Uma cepa específica usa etilenoglicol derivado do PET para produzir o composto que o corpo converte em vitamina A

O que você vai ver
- Qual desafio da NASA deu origem ao projeto.
- Como o plástico e os resíduos agrícolas são quebrados antes de chegar às leveduras.
- O que as leveduras geneticamente modificadas conseguem produzir a partir disso.
- Como esses ingredientes viram, de fato, um biscoito proteico.
- Em que estágio de desenvolvimento a tecnologia está hoje.
Pesquisadores programaram leveduras geneticamente modificadas para reconstruir o carbono presente em resíduos de plástico PET e biomassa agrícola, transformando esse material descartado em ingredientes capazes de virar, ao final do processo, um biscoito proteico produzido em laboratório.
Qual desafio deu origem ao projeto?
O projeto nasceu com apoio do NASA Deep Space Food Challenge, iniciativa voltada a desenvolver novas formas de produzir alimento em missões espaciais de longa duração, e contou também com financiamento de uma bolsa CAREER da National Science Foundation, conduzido por uma equipe da Southern Illinois University Carbondale liderada por Lahiru Jayakody.
#ICYMI: We’ve launched a new NASA Deep Space Food Challenge! Mars to Table is a global competition that tasks participants to create a complete meal plan for a crew on Mars with concepts for food systems that meet a crew’s nutritional needs. Learn more and apply: https://t.co/5n1de0LKMn
— NASA Marshall (@NASA_Marshall) January 21, 2026
Como o plástico e a biomassa são quebrados?
Antes de chegar às leveduras, o PET usado em garrafas de refrigerante e água, junto a talos, folhas de milho e outras biomassas agrícolas, passa por um processo chamado dissolução hidrotermal oxidativa, técnica desenvolvida pelo professor de geologia Ken Anderson que usa água e oxigênio sob alta temperatura e pressão para quebrar esses materiais em moléculas bem menores.
O que as leveduras conseguem produzir?
As moléculas resultantes da quebra inicial são oferecidas a cepas de leveduras geneticamente modificadas, incluindo a levedura de panificação comum, que as convertem em proteínas, gorduras, ácidos, vitaminas e aromatizantes. Uma cepa específica, por exemplo, usa etilenoglicol derivado do PET para produzir betacaroteno, composto que o corpo humano converte em vitamina A.
Como isso vira um biscoito?
Os ingredientes gerados pelas leveduras são combinados com fibra, amido e adoçante, ainda adicionados separadamente nesta fase do projeto, e depois impressos em impressora 3D no formato de pequenos biscoitos proteicos batizados de µBites, nome que resume a proposta de transformar resíduos em porções compactas de alimento funcional.

Em que estágio a tecnologia está?
Os dados disponíveis indicam que os µBites são seguros para consumo, mas os testes formais de sabor ainda aguardam aprovação institucional, e até agora apenas o aroma foi avaliado por participantes voluntários, a maioria dizendo que comeria o biscoito em situações de escassez de alimentos. Jayakody espera que o produto chegue ao público em alguns anos, com aplicações que vão de submarinos e áreas de desastre a futuros assentamentos na Lua ou em Marte.
Processos que transformam resíduo em algo consumível por meio de organismos vivos também aparecem no relato sobre a tumba de 4 mil anos que preservou objetos rituais de alabastro em Saqqara.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do ScienceDaily.
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